Com dados, fatos e, principalmente especulações já publicadas por ela e outros veículos, a Folha de S.Paulo requenta o caso Eletronet e dá uma página hoje ao assunto. Na falta de outro, ainda é o tema que o jornal tem para prosseguir na campanha contra o governo e a candidatura da ministra Dilma Rousseff.

O problema da FSP é que ela comete erros crassos de informação ao dizer em título e texto que o empresário Nelson dos Santos, um dos acionistas da Eletronet, é meu cliente. Foi da minha consultoria, não é mais. E ao contrário do que diz o material, tampouco minha empresa foi contratada para prestar serviços a Star Overseas.

O jornal fala, também, da aprovação de convite aos ministros Hélio Costa e Dilma Rousseff para deporem na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. Nessa e em outras matérias, cita meu nome e associa-me ao caso, mas não dá uma palavra de uma nota de esclarecimentos divulgada a respeito pela minha assessoria de imprensa (leia a nota abaixo).

O fato é que a leitura de todo o material da Folha mostra que o jornal vai se desmentindo a cada dia. Os textos de hoje mostram claramente que ele mente ou por incompetência, ou de caso pensado.

“NOTA À IMPRENSA

A respeito da representação apresentada hoje à Procuradoria Geral da República pelos partidos de oposição PSDB, DEM e PPS, contra o ex-ministro José Dirceu, temos a informar:

01) Tal representação não tem fundamento na realidade nem deve receber amparo jurídico, uma vez que não passa de mais uma peça do jogo político neste ano eleitoral.

02) O chamado “caso Eletronet” não tem fundamento, pelos seguintes motivos:

a) O serviço prestado pela JD Consultoria à empresa Adne, de propriedade do empresário Nelson dos Santos (e não à Stars Overseas ou à Contem Canadá), foi sobre cenários econômicos na América Latina, e não sobre a Eletronet.

b) O empresário, que adquiriu em 2005 (dois anos antes de contratar a consultoria) a parte das ações da Eletronet pertencentes à empresa norte-americana AES, não será beneficiado com o uso dos 16 mil km de cabos de fibras ópticas (que eram operados pela Eletronet) quando da implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

– Reproduzimos trecho da “Análise” publicada com o título “Tese do governo sobre rede é contestável”, no último sábado (6/3), à Pág. B-6, pela própria “Folha de S.Paulo”, que havia levantado a questão:

“As chances de os sócios da Eletronet – entre eles Nelson dos Santos, que contratou os serviços do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – de receberem alguma coisa é tida como ‘muito remota’ pelos advogados, analisando apenas documentos até agora divulgados”.

– Reproduzimos Nota da Advocacia Geral da União (AGU), divulgada no dia 23 de fevereiro:

“Em atenção às notícias “Nova Telebrás beneficia cliente de Dirceu” e “Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás”, veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo na capa e página B1, com circulação no dia 23 de fevereiro, esclarece a Advocacia-Geral da União:

1) A União obteve, em reclamação apresentada pela AGU ao Tribunal Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em dezembro de 2009, a retomada da posse das fibras ópticas do sistema de transmissão e distribuição de energia.

2) A rede de fibras ópticas é de propriedade das empresas do sistema Eletrobrás e foi operada pela massa falida da Eletronet mediante previsão contratual.

3) Para a retomada da posse, a Eletrobrás apresentou caução conforme determinação judicial proferida em junho de 2008.

4) A caução atenderá exclusivamente eventuais direitos de credores da Eletronet e não dos seus sócios.

5) A utilização que vier a ser dada à rede de fibras ópticas não beneficiará a massa falida da Eletronet, seus sócios, seus credores ou qualquer grupo empresarial privado.

6) A retomada desse patrimônio, por via judicial, não gerou direitos aos sócios da Eletronet ou qualquer outro grupo empresarial privado.

7) Eventual reativação da Telebrás não vai gerar receitas ou direitos de crédito para a massa falida da Eletronet, seus sócios, credores, ou qualquer grupo empresarial com interesses na referida massa falida.

Advocacia-Geral da União”

c) A posição do ex-ministro José Dirceu em artigos e em seu blog (www.zedirceu.com.br) sempre foi contrária aos interesses dos controladores privados da Eletronet, o que inclui Nelson dos Santos.

d) Dois meses após o contrato de consultoria ter início, em maio de 2007, o governo federal decidiu disputar na Justiça os 16 mil km cabos de fibras ópticas (que constituiriam os ativos da Eletronet), o que é claramente contrário aos interesses dos mesmos controladores privados da empresa.

e) Até o momento, a Justiça tem decidido favoravelmente ao governo.

f) José Dirceu deixou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República em junho de 2005.

g) O ex-ministro Luiz Gushiken (Assuntos Estratégicos) já afirmou e reafirmou, em entrevistas a jornais de circulação nacional, que o assunto não passou por José Dirceu enquanto este foi ministro da Casa Civil.

Entrelinhas Comunicação
Assessoria de Imprensa do ex-ministro José Dirceu”.

(www.zedirceu.com.br)

Anúncios