Definitivamente só andar em jatinhos não faz bem para pensar o Brasil das famílias mais pobres.

O programa Bolsa Família é renda mínima para tirar pessoas da linha de pobreza e, para famílias com filhos em idade escolar, visa evitar que pais tirem filhos da escola para o trabalho infantil. Famílias com mais de 1 filho, podem ter um com mais aptidão para estudo do que outro. Em geral os filhos que tem mais dificuldade na escola é que precisam de atenção reforçada, e não de desestímulo.

O Senador demo-tucano Tasso Jereissati, do alto de seu jatinho, em véspera de eleições, resolveu propor no Bolsa Família, um extra para alunos, a partir dos 6 anos, que tirarem melhores notas.

Em tese, a idéia poderia ser boa para estimular os pais a se interessarem mais pelo desempenho do filho. Mas na prática, talvez, seja uma das piores formas de fazer isso.

A formação escolar de uma criança, deve explorar tanto o lado lúdico do saber, como desenvolver o conceito de cumprimento do dever, e isso é melhor que esteja dissociado de recompensas imediatas. A criança não deve estudar só se ganhar um brinquedo ou um doce. Ela deve desenvolver a consciência de que deve estudar, independente de quando os pais podem lhe dar um brinquedo ou não.

Pode-se argumentar que não é a criança que recebe o bônus por boas notas e sim a mãe. Mas aí também acaba havendo uma indução ao trabalho infantil precoce. Se a criança não consegue tirar boas notas, porque tem dificuldades de fato com estudo, e não recebe bônus para isso, pode levar pais pouco esclarecidos a só estimularem os filhos com bom desempenho a completarem o ciclo de estudos, desviando filhos com mau desempenho escolar para o trabalho infantil fora da escola.

Existem formas melhor de estimular o bom desempenho escolar para alunos adolescentes, criando bolsas para monitores (melhores alunos que ensinam os outros em tarefas extra-classe), bolsas de iniciação científica, estágios, bolsa para atletas (que já existe). Isso sim é uma forma de remunerar o mérito do aluno, mas pela conquista de um estágio, preâmbulo da inserção no mercado de trabalho intelectual ou no esporte.

O projeto do senador demo-tucano deverá passar pela Câmara e lá deverá ser melhor discutido, inclusive por que entende da área: educadores e psicólogos.

O Bolsa Família deve ser tratado com a seriedade com que sempre foi. Não deve ser remendado de forma errada para atender aos interesses eleitorais de quem passou os últimos anos criticando o programa, e agora na véspera da eleição procura reabilitar sua imagem às custas de factóides.

Matéria do site: http://www.rastreadoresdeimpurezas.org/