Profundidade das águas e magnitude no epicentro do terremoto são alguns dos fatores que determinam a força com que as tsunamis chegam à costa. De acordo com o pesquisador Cristiano Naibert, do Observatório Sismológico, ligado à Unb (Universidade de Brasília), “as tsunamis, formadas a partir de falhas geológicas que se movimentam no fundo do oceano, podem atingir entre 500 km/h e 800 km/h no momento em que se fornam no mar”.

Neste sábado, após o terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu a costa do Chile durante a madrugada, o Centro de Avisos do Pacífico dos Estados Unidos ampliou o alerta de tsunami para grau de vigilância à Colômbia, Panamá, Costa Rica e a Antártida, além do Equador. O Peru já havia sido alertado.

A agência meteorológica do Japão alertou para possíveis tsunamis na região do Pacífico.

Nem toda falha geológica provoca tsunamis. Ela depende do movimento ocorrido em um tipo específico de falha, chamada “falha inversa”. “No início, a onda possui alguns centímetros, mas atinge velocidades acima dos 500 km/h. À medida que se aproxima da costa, as tsunamis perdem velocidade, mas ganham em altura, pois movimentam maior quantidade de água”, afirma Naibert.

O tempo para uma tsunami chegar ao litoral depende da distância onde aconteceu o epicentro do terremoto, da profundidade do fundo oceânico e da velocidade que ela atinge. Por esse motivo, explica Naibert, é preciso analisar com dados precisos cada caso para poder prever em quanto tempo uma onda gigante chega ao litoral.

Segundo o USGS (United States Geological Service, na sigla em inglês), o terremoto teve seu epicentro a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320 quilômetros ao sul da capital chilena, Santiago, e 91 quilômetros ao norte de Concepción.

O terremoto que atingiu o Chile na madrugada deste sábado matou ao menos 78 pessoas, informou a presidente do país Michelle Bachelet. Segundo o ministro do Interior, Edmundo Pérez Yoma, 34 das mortes foram registradas na região do Maule, a 300 quilômetros ao sul de Santiago.

Até o momento persistem problemas de comunicação, disse o funcionário, que confirmou que o Governo declarou estado de catástrofe em todo o território atingido pelo sismo, entre as regiões de Valparaíso e Araucania, que abrange 800 quilômetros do país.

(Folha Online)