O Banco do Brasil (BB) se apropriou de R$ 3 bilhões da Previ, o fundo de pensão dos seus funcionários, e encerrou 2009 com lucro líquido recorde de R$ 10,15 bilhões, o maior já apurado por um banco no país, segundo a consultoria Economática.

Sem o impacto desse adiantamento e de outros ganhos extras, o lucro cairia para R$ 6,9 bilhões no ano passado. Esse ganho decorre de dinheiro que “sobra’’ no caixa da Previ após os pagamentos aos aposentados. É um ajuste de contas que o BB costuma fazer como patrocinador da aposentadoria dos funcionários que, normalmente, representam despesas.

O ganho tem efeito apenas contábil (não entra no caixa), mas gera lucro, impostos e participação nos lucros aos funcionários. Também permite ao banco somar R$ 1 bilhão ao patrimônio, elevando assim a sua capacidade de conceder novos empréstimos.

– Só estamos fazendo o que a lei permite – disse Marco Geovanne, gerente de Relações com Investidores do BB.

O banco também se consolidou como a maior instituição financeira do Brasil. O volume de ativos, que era em dezembro de R$ 708,549 bilhões, supera em pouco mais de R$ 100 bilhões o segundo colocado, o Itaú Unibanco. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, em novembro de 2008, o BB havia perdido provisoriamente o posto de maior banco do país. A posição foi retomada na divulgação dos resultados no segundo trimestre do ano passado.

Segundo o presidente do BB, Aldemir Bendini, a instituição espera no mínimo manter a participação no mercado de crédito em 2010. O banco encerrou 2009 com fatia de 20,1% dos empréstimos no país.

Ao comentar o lucro do BB, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a empresa criou um novo paradigma na economia brasileira ao ampliar o crédito e cobrar juros mais baixos. Para Mantega, os bancos privados terão de seguir o mesmo caminho.

– Cada vez mais vão ter de emprestar mais e a taxas menores porque, se não, estarão perdendo para o concorrente – afirmou o ministro.

(Zero Hora Online)

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