Um jornalista de Iguatu (CE) e outras quatro pessoas afirmam que foram espancados após distribuírem panfletos noticiando uma denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o prefeito do município, Agenor Neto (PMDB). O fato ocorreu na quinta-feira passada.

Entre os agressores, de acordo com as vítimas, estavam funcionários da prefeitura, que negam as acusações.

Segundo o jornalista Vicente Araújo, que trabalha para políticos da oposição, ele e os outros quatro homens estavam entregando panfletos com notícias sobre a denúncia, por volta das 23h, quando foram abordados por cerca de oito pessoas, todas de rosto descoberto.

Três dos suspeitos foram filmados junto com as vítimas por câmeras de vigilância da delegacia de Iguatu, horas antes das agressões. Entre eles, é possível identificar o chefe da guarda municipal.

Araújo diz que o grupo foi levado para um terreno a cerca de 10 km do centro, onde foi espancado, queimado e humilhado. “Filmaram e tiraram fotos de tudo. Urinaram em minha cara. Tive que andar nu pela estrada até conseguir um telefone para ligar para a polícia.”

Este é o segundo caso de agressão a jornalistas registrado neste mês em Iguatu: no dia 2, o radialista Val Lima foi espancado em frente à rádio em que trabalha, pertencente a um político de oposição.

Naquele dia, Lima leu, no ar, a notícia da denúncia do MPF contra o prefeito. Segundo o jornalista, os agressores eram os mesmos funcionários da prefeitura que agrediram Araújo na semana seguinte.

A prisão preventiva de três dos suspeitos foi solicitada na semana passada pela delegacia de Iguatu, mas o pedido ainda não foi avaliado pela Justiça.

A delegacia de Iguatu informou que está investigando as agressões. O inquérito deve ser concluído em 30 dias.

O prefeito de Iguatu, Agenor Neto, foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos recados deixados em seu celular.

(Folha Online)