Consolidar o Carnaval de Fortaleza não é apenas uma questão de política cultural. Uma festa concorrida como a de Salvador, por exemplo, onde o investimento da iniciativa pública e privada é em torno de R$ 30 milhões, o movimento da economia local chega a R$1 bilhão, segundo dados da Prefeitura de Salvador. Atraindo cerca de 650 mil turistas, a cidade consegue gerar, com o Carnaval, aproximadamente de 220 mil empregos. Em Fortaleza, para este ano, as expectativas da Prefeitura é que receita turística chegue a R$ 169,8 milhões no período.

De olho nessa movimentação, a Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor) aposta nas transformações do Carnaval fortalezense para vendê-lo como produto turístico em feiras do setor. “O turismo precisa de atrativos, precisa qualificá-los. Fortaleza sempre foi vendida como uma cidade de sol e praia e desde que assumimos, estamos tentando vender algo a mais, tentando qualificar atrativos na área cultural. Um desses foi o Réveillon e agora, estamos partindo para o Carnaval“, explica o coordenador de planejamento e informações da Setfor, Rafael Cordeiro.

Embora os esforços do poder público tenham crescido, entre alguns dos principais setores do trade turístico o clima ainda é de descrença e o fato de Fortaleza “não ter Carnaval“ não incomoda. “Já tem gente vindo para o Pré-Carnaval, mas para Carnaval o pessoal vem para descansar“, diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel/CE), Augusto Mesquita. Segundo ele, alguns restaurantes não abrem durante o feriado e aproveitam a época para dar folga aos funcionários. “Nós temos uma particularidade em Fortaleza. Os restaurantes fecham e os que ficam abertos, ficam lotados“, conta.

Já no setor hoteleiro é o contrário. Conforme publicado no O POVO, na última quarta-feira, 3, a expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Ceará (ABIH/CE) é chegar a uma média de 91,74% de ocupação da rede hoteleira em Fortaleza entre o sábado que antecede o Carnaval, 13, e a quarta-feira de cinzas, dia 17. Em 2009, o percentual foi de 87,84%, enquanto em 2008 chegou a 85,66%. De acordo com o presidente da ABIH, Régis Medeiros, 90% desses turistas são brasileiros, a maioria famílias e casais que procuram tranquilidade no período momino.

Para alguns setores empresariais, como o de serigrafia, o investimento nas festas de Carnaval de Fortaleza tem sido uma oportunidade de crescimento de negócios. O empresário Ricardo Vasconcelos, proprietário da SVC Camisetas, conta que entre o início de janeiro e o Carnaval, o ritmo de produção de camisetas aumenta em cinco vezes. Já o faturamento chega a dobrar neste período do ano. Neste ano, para dar conta de toda a demanda, a empresa contratou 15 novos funcionários.

“Os blocos deixam tudo para a última hora e, às vezes, eu tenho que negar pedido para dar conta“, destaca o empresário. “Nos últimos anos, teve muito crescimento, principalmente durante o Pré-Carnaval. No Carnaval também tem crescido, mas é tudo do interior“, completa.

(O Povo Online)

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