Em mais um passo da luta do governo da França contra as vestimentas islâmicas restritivas, o primeiro-ministro do país, François Fillon, anunciou ontem a assinatura de um decreto vetando a naturalização de um estrangeiro muçulmano. O motivo: o homem obrigava a mulher, francesa, a cobrir o rosto com o véu islâmico.

Fillon explicou que baixou o decreto porque há uma lei determinando que quem não aceitar os princípios do laicismo e da igualdade entre homens e mulheres não poderá se naturalizar francês. Segundo o premier, o homem em questão “não merece a nacionalidade francesa”.

O decreto foi assinado uma semana depois de o parlamento francês ter proposto a abolição parcial do uso da burka e do niqab (veja fotos) no país. As novas regras devem proibir o uso do véu em repartições administrativas, hospitais, transportes públicos e estabelecimentos de ensino. A mulher, porém, ainda poderia usar o véu completo na rua. Há a possibilidade, também, de o uso da burka render uma multa de 750 euros (R$ 1,9 mil).

Estima-se que 2 mil mulheres usem o niqab ou a burka na França. No ano passado, o presidente Nicolas Sarkozy classificou a burka de “signo de servidão”, contrário à “ideia da República Francesa sobre a dignidade da mulher”. Além disso, declarou que a veste “não é bem-vinda no território francês” – o país é famoso pela máxima “liberdade, igualdade e fraternidade”.

Pesquisa mostra que 65% dos franceses são contra a burka

As declarações reavivaram uma polêmica sobre o assunto, datada de 2004. Na época, em razão do véu, foi aprovada uma lei que proíbe o uso de qualquer símbolo religioso em escolas públicas. A questão da burka provocou um debate entre os defensores das liberdades individuais e os que consideram que essas podem ser limitadas em nome da laicidade.

A manifestação do presidente reflete também a preocupação na França com o crescimento da população muçulmana do país. Segundo uma pesquisa publicada recentemente pelo jornal Le Parisien, 65% dos franceses são favoráveis à proibição total das vestimentas islâmicas, inclusive nas ruas.

(Portal Zero Hora)