Era inevitável. As últimas pesquisas de intenção de voto para a presidência da República, feitas pelos institutos Vox Populi e Sensus, confirmaram a tendência que se apresentava nos últimos meses.  No sábado: “Num quadro em que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) também é considerado pré-candidato, o governador de São Paulo aparece com 34% das intenções de voto, contra 27% da ministra-chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ciro Gomes tem 11% das intenções de voto e a senadora Marina Silva (PV-AC), 6%. (…) A pesquisa questionou também se o eleitor votaria no candidato indicado pelo presidente Lula, para medir a transferência de votos. Trinta por cento dos entrevistados disseram que com certeza”.

Na terça-feira: “No cenário com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) na disputa, Dilma alcança 27,8% da preferência do eleitorado, contra 21,7% do mês anterior. Já Serra, que aparecia com 31,8%, agora tem 33,2%. Ciro, por sua vez, perdeu terreno, passando de 17,5% para 11,9%. E a senadora Marina Silva (PV-AC) oscilou de 5,9% para 6,8%. Já num cenário sem Ciro Gomes, o governador José Serra dispara e fica com 40,7% das intenções de voto, contra os 40,5% registrados em novembro. Dilma, que antes aparecia com 23,5%, sobe para 28,5%. Marina Silva registra, por sua vez, 9,5% da preferência do eleitorado, contra 8,1% do levantamento de novembro”.

Hoje, não é mais surpreendente uma reviravolta nas pesquisas – quando Datafolha e Ibope apresentarem seus números, nas próximas semanas (ou meses), a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), poderá até estar na frente, passando a ser a favorita para ganhar a eleição de 3 de outubro.

E por que isso acontece? É a conjunção de dois fatores, um muito importante e outro relevante. O relevante é a incapacidade que o estado de São Paulo (e a cidade de São Paulo também) demonstrou neste período ao ficar praticamente sem reação diante das chuvas torrenciais. É verdade que choveu muito em pouco tempo, mas também faltou administração pública para coordenar as ações de defesa da população, que se viu abandonada em meio às mais fortes precipitações dos últimos anos. Aí, o governador José Serra (PSDB) surge como principal responsável – e a associação é imediata: se ele não conseguiu conter o avanço das enchentes em um estado, como será com o Brasil?

Outro dado muito importante da pesquisa realizada pelo Instituto Sensus é que 30% dos entrevistados vão votar em qualquer candidato que o presidente Lula escolher. Como brincam alguns, pode ser até um poste. O que as pesquisas retratam é que Dilma está chegando perto desta marca, que no mínimo levará a ministra para o segundo turno contra Serra.

E as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o avanço da economia e o natural conhecimento da ministra perante o grande público (e a definitiva associação dela a Lula) vão fazer com que Dilma Rousseff se aproxime mais e mais de José Serra – e até ultrapasse – nas próximas pesquisas.

Porém, cabe ressaltar que nem Serra é o culpado por tudo de errado que acontece em São Paulo (aí podem ser incluídas as enchentes), nem Dilma é a versão feminina de Lula. Na hora em que a campanha começar de verdade, as virtudes e os defeitos dos dois candidatos serão colocados na balança. Além disso, ainda há dois outros nomes que podem “tumultuar” o pleito do próximo outubro: Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV). Uma troca de farpas exagerada entre PT e PSDB pode facilitar a vida de uma terceira via – que potencialmente é a candidata verde, que deve fazer parceria com Guilherme Leal, proprietário da empresa de cosméticos Natura. E se Ciro entrar, como apontou a pesquisa do Instituto Sensus, piora a vida de Serra (e o contrário também é verdadeiro).

Importante, entretanto, é registrar que Dilma está chegando. E fará da eleição – que muitos pensavam ser de um candidato só – uma disputa ferrenha para chegar ao Palácio do Planalto. Vitória da democracia.

(Paraná Online)