A preocupação ambiental desponta como a principal barreira para a exportação de etanol. Com perspectiva de se tornar uma commodity, abocanhando uma fatia maior do mercado externo, o setor sucroalcooleiro passa por um momento positivo de ajuste para atender as exigências internacionais. Uma pesquisa sobre a produção da Paraíba, dá conta de melhorias e oportunidades do setor nordestino, além da busca de produtores locais por métodos que atendam às exigência ambientais.

O estudo, intitulado “Etanol na Paraíba: Aumento das exportações e aspectos ambientais de produção”, parte de cálculos dos efeitos da abertura do comércio para o Brasil, estendendo a análise para o estado paraíbano. As estimativas indicaram um potencial crescimento das exportações em cerca de US$ 4 milhões no período 2000-2008, pela eliminação de barreiras comerciais. O autor destaca, no entanto, que a ampliação das exportações, não necessariamente acarretaria no aumento da produção do estado, devido a limites físicos, como área de plantio, e sim a reboque das tecnologias em pesquisas para melhorar a produtividade.

Sobre as exigências ambientais, a pesquisa apontou a redução da queima de cana como umas das vantagens para abocanhar uma fatia maior do mercado internacional. Há ganhos econômicos, sugeridos no documento, com a eliminação da prática e o aproveitamento da palha crua, seja na geração de energia ou como insumo substituto de agroquímicos herbicidas.

A conta resultou em um valor médio de lucro de até US$ 3,7 milhões por ano com a eliminação da queima de cana de açúcar no estado e com a geração de energia da palha. Já o uso da palha crua como herbicida alcançaria uma economia de US$ 2,3 milhões anuais.

Foi constatado que essas adequações já estão em andamento pelos produtores, principalmente em relação à queima para a safra 2010/2011 e ao reaproveitamento da vinhaça.

Os produtores entrevistados demonstraram interesse em ampliar as exportações, principalmente as estratégias apresentadas para angariar um maior mercado comprador: reduzir os riscos de exposição à sazonalidade dos preços e aproveitar benefícios fiscais de exportação. Algumas variáveis, entretanto, têm impedido esse crescimento, entre as quais o documento enumera: taxa de câmbio desfavorável; redução de crédito disponível por meio de Contratos de Adiantamento de Câmbio, ofertado por tradings e bancos privados, barreiras comerciais nos principais mercados (EUA e União Européia).

Mas não apenas dificuldades foram detectadas. A Paraíba conta com vantagens competitivas para o setor sucroalcooleiro, como: a experiência comercial em sete dos dez principais mercados importadores do etanol brasileiro; o estado tem conseguido acompanhar o resto do país em termos de formação de preço no mercado externo; certificação de qualidade internacional do álcool anidro produzido; baixo custo com logística por conta da proximidade de armazéns portuários, a exemplo do Porto de Cabedelo e do Porto de Suape.

Com base nos dados colhidos da produção do estado, o autor entende que a Paraíba está bem posicionada na questão do etanol, situação que pode ser ainda mais favorecida a partir da implementação de políticas públicas específicas.

No período de 2002 a 2007, a região Nordeste respondeu por 24% das exportações de etanol, enquanto a região Centro-Sul, por 60%.

(Por  Dayana Aquino – Redação ADV)