SÃO PAULO – O processo de reestruturação do Banco do Brasil (BB) na Europa já começou e deve ser concluído até 2012, afirmou ao Valor o diretor Internacional do BB, Admilson Monteiro Garcia. Segundo ele, somente neste ano, mais quatro praças europeias devem ser reestruturadas.

Até o projeto ser colocado em prática, o Banco do Brasil tinha 11 unidades operacionais no velho continente, que se dividiam entre escritórios, agências e subsidiárias.

Todas essas unidades eram administradas de maneira independente, com plataformas de tecnologia e processamento separadas, o que, na avaliação dos estrategistas do banco, era improdutivo e gerava despesas para a instituição.

“Isso multiplicava tarefas idênticas e gerava muitos custos”, analisou Garcia. Agora, a ideia do banco é centralizar a coordenação de todas as unidades sob a subsidiária integral do banco em Viena, o Banco do Brasil Viena AG.

“Teremos uma administração centralizada de toda a rede na Europa e as agências se focarão na realização de negócios”, acrescentou o executivo.

O BB Viena servirá, deste modo, como a “sede” da instituição no continente. A unidade foi criada em 1980, dentro de um plano de crescimento orgânico.

As vantagens, na época, se concentravam nas questões fiscais que o país oferecia neste tipo de operação, com o acordo de não bitributação entre a Áustria e o Brasil. Hoje, no entanto, as vantagens mais importantes são regulatórias.

De acordo com Garcia, quando o Banco do Brasil ligar todas as unidades na Europa, conseguirá adicionar os patrimônio líquidos (PL) delas ao da subsidiária de Viena. “Isso fará com que os reguladores passem a permitir maiores alavancagens nas operações da instituição, como um todo, no continente”, explicou o executivo.

Isso porque cada país tem um regulador que limita a um certo grau a alavancagem do PL para as grandes operações bancárias, como as sindicalizadas, que são realizadas em conjunto com outros bancos para o financiamento de grandes projetos. As unidades que têm baixo PL, portanto, perdem a liberdade de ampliar as operações.

“Com a reestruturação, vamos aumentar a capacidade de exposição ao risco Brasil, pois o PL das agências estará centralizado em Viena”, disse o diretor, citando o exemplo da agência de Milão que, no ano passado registrou PL de 45 milhões de euros e, com a integração com o BB Viena, aumentará sua capacidade de fazer negócios em dez vezes, como projeta o banco.

O Banco do Brasil deu o primeiro passo no caminho da reestruturação no segundo semestre do ano passado, quando transformou a agência de Lisboa em uma unidade de processamento de serviços, fazendo com que toda a estrutura do banco em Portugal se tornasse sucursal do BB Viena.

O BB Lisboa, deste modo, passou a centralizar todo o processamento do banco realizado na Europa. “Esta praça foi escolhida porque é a que tem o menor custo do continente e ainda tem a facilidade do idioma”, explicou Garcia.

A próxima unidade a ser reestruturada, ainda neste semestre, será a de Paris. Frankfurt, Milão, e Madrid, nesta ordem, também passarão pelo processo até o fim do ano.

“Para o cliente não muda nada, mas precisamos fazer tudo com calma, para consolidar a estruturação”, lembrou o executivo, enfatizando que a única agência que vai continuar BB S.A. será a de Londres, por questões da regulação britânica.

Garcia afirmou ainda que os planos da instituição também se estendem para o continente africano. Por lá, o objetivo do BB é crescer por meio da compra da participação em um banco, com a manutenção de um sócio local.

“Estamos avaliando e negociando com algumas instituições, mas não escolhemos o alvo ainda. No fim deste semestre deve ocorrer o fechamento do negócio”, adiantou o diretor ao Valor.

Ele enfatiza que a instituição quer dar suporte às grandes empresas brasileiras que atuam na África, além de aproveitar o crescente fluxo comercial entre os dois países.

A estratégia do Banco do Brasil de se lançar no exterior está traçada há mais de um ano. A instituição já afirmou que vai partir para os EUA por meio da compra de um banco, para atender à comunidade de brasileiros no país. Na Argentina, o BB buscará explorar o segmento corporativo.

(Vanessa Dezem | Valor)

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