Por José Carlos Mastroberte*

O modelo econômico em vigência favoreceu a formação de oligopólios que controlam os meios de produção de bens e serviços e, por consequência, tudo o que é disponibilizado para consumo pela população.

Não é necessário ser um expert para compreender quem realmente tem o poder de governar na atualidade, isto é, quem está em condições de ditar e impor as regras e diretrizes que devem imperar em praticamente todas as partes do mundo.

Faz 20 anos que o capitalismo reina praticamente sozinho, sem a sombra ameaçadora de outros modelos, restando poucos antagônicos, com baixa representatividade. Se isto está acontecendo, é porque o capitalismo tem suas vantagens, e por isto é bem aceito pela maioria da população. Ser um modelo que está dando certo não significa, todavia, que podemos ser relapsos ou negligentes com relação à garantia do seu regular funcionamento.

Quando, por variados motivos, os componentes do trinômio que rege este modelo composto por “Terra, Trabalho e Capital” não são bem administrados, ocasionando a desarmonia do sistema, a consequência é o que denominamos de crise na base de sustentação da pirâmide.

A componente mão de obra, representada pelo homem, parece não ser a causa principal do problema, embora o expressivo contingente excedente. Entretanto, segundo alguns especialistas sobre o tema, dentro de percentuais aceitáveis que não chegam a comprometer o sistema como um todo. No mundo atual, o homem parece ser algo secundário.

A Terra é constantemente ameaçada, porém, graças à persistência de alguns indivíduos mais esclarecidos, medidas de proteção do ecossistema foram e estão sendo providenciadas, o que garante a nossa sobrevivência, pelo menos por enquanto.

Por fim temos o Capital, que para alguns parece ser o único componente que tem real importância. A lógica predominante induz a acreditar que o possuidor do Capital está apto a conquistar tudo, ou seja, comprar terras, bens de todas as espécies e ter à disposição farta oferta de mão de obra. Para que isto seja conquistado, está se tornando rotina a utilização de práticas e meios inescrupulosos, que visam somente ao bem-estar individual, completamente alheio ao coletivo.

Assim como os modelos socialistas, que na sua essência não são totalmente descartáveis, naufragaram basicamente em razão das discórdias, interesses maléficos e antagônicos da cúpula que estava no poder quando da sua implantação, que acabaram por distorcer os reais objetivos dos idealizadores, o capitalismo não está imune a isto, pois, embora seja de razoável aplicação, também está sujeito a ser manipulado e sofrer interferências perniciosas promovidas por indivíduos que não têm compromisso nenhum com a sociedade.

Uma análise minuciosa e independente da conjuntura econômica global é necessária. Urge a criação de mecanismos de controle do sistema que devem ser implementados e rotineiramente colocados em prática para que sejam detectadas de pronto as células cancerígenas que ameaçam a harmonia do corpo social, sob pena de estarmos constantemente vulneráveis a todo tipo de intempéries e turbulências que causam significativos prejuízos, e que desarticulam todo o sistema construído com o sacrifício de muitos.

*Advogado e contador

(Portal Zero Hora)