Os automóveis têm tomado cada vez mais o espaço público, transformando as ruas da cidade em corredores de máquinas motorizadas. O que deveria ser simplesmente um meio de transporte particular tem se tornado um instrumento desumano e causador de muitas mortes.

Pelo menos é o que mostra o levantamento inédito feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que coloca o Ceará como o segundo Estado do nordeste com a maior taxa de mortes por acidentes de trânsito, ficando atrás apenas do Piauí.

O estudo é o mais recente de âmbito nacional e toma como base os anos de 2005 a 2007. Ao longo desses três anos, morreram 5.075 pessoas no Ceará, com uma média anual de 1.692 vítimas. A gravidade é tanta que, por causa da velocidade e imprudência no trânsito, em apenas um dia, morrem mais de 150 brasileiros.

A pesquisa levou em consideração a taxa média de óbitos por acidentes de trânsito nos Estados, segundo a população, usando dados do Ministério da Saúde, pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Ainda de acordo com o estudo da CNM, o número total de mortes por acidente de trânsito, no Ceará, chegou a 12.293, entre os anos de 2000 e 2007.

Se levarmos em conta também os dados dos órgãos estaduais, como o Índice de Acidentes de Trânsito, do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), veremos que o número de feridos é também assustador.

De 2002 até outubro do ano passado, 94.478 pessoas, em todo o Estado, já haviam tido ferimentos ou lesões por causa de batidas, capotamentos, atropelamentos e outros.

Com vítima fatal ou não, de forma direta ou indireta, mais de um milhão de pessoas estão envolvidas em ocorrências desastrosas que envolvem veículos automotores, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Os impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas aglomerações urbanas brasileiras são inúmeros, desde a fase pré-hospitalar à reabilitação, os gastos com as vítimas chegam a custar mais de R$ 45.000,00. Este valor, divulgado pelo Ipea, na pesquisa mais recente, leva em conta despesas como medicamentos, próteses e transporte.

De acordo com o diretor da emergência do Instituto Doutor José Frota, Romel Araújo, o acidentado de trânsito passa, em média, 90 dias internado e, incluindo o tempo de reabilitação, o paciente pode precisar de assistência por até 7 meses.

“As consequências típicas de acidentes com veículos automotores, principalmente as que envolvem motociclistas, são lesões corporais extensas e politraumatismos, que podem trazer inúmeras danos, mais ainda, se houver fratura no crânio”, explicou Araújo.

Para o diretor de habilitação do Detran-CE, João Bezerra, a imprudência e intolerância são as principais causas dos acidentes.

“Apesar das campanhas e fiscalização, os motoristas insistem em reincidir nas infrações. Precisamos, então, preparar melhor o condutor do futuro. É tudo uma questão de cidadania, temos que reforçar a atenção nos cursos”, disse.

Para o professor adjunto do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Flávio José Craveiro Cunto, o uso errado da malha urbana e o crescimento da frota são alguns dos fatores que também influenciam no número de acidentes.

(Tv Canal 13)