Um forte tremor de pelo menos 7 graus de magnitude atingiu nesta terça-feira (12) o Haiti, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Segundo Dale Grant, analista da USGS, este foi o terremoto mais forte já registrado na região. Antes, disse, o mais forte havia sido um tremor de 6,7 graus em 1984.

Mapa mostra a localição dos epicentros do terremoto e dos tremores secundários no Haiti (Foto: Ilustração/G1)

Não há relatos oficiais de vítimas e feridos, mas a força do terremoto pode causar grande destruição. Vários testemunhos de jornalistas e outras pessoas no local relatam que vários prédios desabaram e que pode haver até milhares de vítimas. Mesmo sem confirmação formal, fala-se em desabamento de hospital, igreja, sede local da ONU e do palácio presidencial.

Segundo familiares de brasileiros em ação no país, os militares estão bem. O governo brasileiro se solidarizou e disse que os militares estão ajudando nos resgates.

Em entrevista ao G1, um haitiano relatou que todos estão com medo de voltar para dentro dos prédios.

O correspondente da agência Reuters disse, entretanto, que vários prédios em Porto Príncipe desabaram e que há vítimas.


“Tudo começou a tremer e as pessoas começaram a gritar, casas e prédios caíram… está tudo um caos”, disse Joseph Guyler Delva. “Vi pessoas soterradas e pessoas mortas”, completou.

A porta-voz de um grupo de apoio católico no Haiti, Sara Fajardo, disse ter ouvido de um colega em Porto Príncipe que o tremor deve ter deixado milares de mortos. Segundo relatos de um correspondente da agência Associated Press, um hospital desabou em Petionville e as pessoas ficaram desesperadas nas ruas.

Um repórter de uma rede de TV local disse que vários prédios caíram por conta do tremor, incluindo alguns do governo. Por telefone, ele descreveu a situação como desesperadora. “Tudo está destruído”, disse.

Segundo a France Presse, um dos prédios destruídos é o palácio presidencial. Segundo o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, o presidente do país, René Preval, e a primeira-dama, Elisabeth Debrosse Delatour, passam bem após o tremor.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse que o tremor é uma “catástrofe de enormes proporções”.

No Brasil, os ministérios da Defesa e da Relações Exteriores informaram que até por volta das 21h (horário de Brasília) não haviam conseguido contato com os brasileiros no Haiti. O G1 está tentando contato por telefone com fontes no no Haiti. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o terremoto danificou toda a rede de telefonia do Haiti.

O norte-americano Luke Renner, fundador da ONG Hands Across Haiti, está em Cap Haitien, cerca de 57 quilômetros ao norte da capital Porto Príncipe, e falou por telefone ao G1. Ele disse que sentiu o terremoto mas que na cidade não houve estragos. Ele afirmou que não está conseguindo contato com amigos na capital por telefone, mas que teve notícias de alguns deles pela internet dizendo que os estragos são “extensos” em Porto Príncipe.

O tremor foi registrado às 19h53 no horário de Brasília e  teve seu epicentro a apenas 15 quilômetros da capital Porto Príncipe, seu foco foi a apenas 10 quilômetros de profundidade. Após uma primeira medição de 7 graus, uma medição chegou a apontar magnitude 7,3, mas o registro foi corrigido em seguida para 7.

Pelo menos dois fortes tremores secundários, um de 5,9 graus e outro de 5,5, foram registrado alguns quilômetros a sudoeste do forte terremoto, poucos minutos depois do primeiro sismo.

Em entrevista à CNN, Mike Godfrey, um representante de ajuda humanitária dos EUA no Haiti, disse que viu o aeroporto do país funcionando após o terrmoto. Ele disse ter visto helicópteros decolando depois do tremor.

Destruição Segundo um correspondente da agência France Presse, que confirmou o desabamento de um prédio em Petionville, o tremor durou mais de um minuto, e um trator foi levado ao local do desabamento para ajudar no resgate de possíveis vítimas.

Segundo um representante do governo norte-americano que está no Haiti, várias casas ficaram danificadas pelo tremor. “Todo mundo está totalmente assustado”, disse Henry Bahn, do Departamento de Agricultura dos EUA à Associated Press. “O céu está todo cinza de poeira.” Segundo ele, na hora do tremor foi possível ouvir várias pessoas gritando. Ele disse que as ruas estão tomadas de escombros. “Estão cheias de paredes que caíram, destroços e arame”, disse.

Um funcionário local para o programa norte-americano Food for the Poor informou ter visto a queda de um prédio de cinco andares em Porto Príncipe, disse à Reuters a porta-voz do grupo, Kathy Skipper.

Outra funcionária do grupo disse haver mais casas destruídas do que erguidas na rua Delmas, uma importante avenida da cidade.

Moradores em pânico tentavam desesperadamente resgatar pessoas sob os escombros ou buscavam por parentes desaparecidos. “As pessoas estão gritando ‘Jesus, Jesus’ e correndo em todas as direções”, disse o repórter da Reuters.

Força regional  – Um alerta de Tsunami chegou a ser emitido para as Bahamas e para a República Dominicana.”Não há ameaça de formação de um tsunami com força destruidora, com base nos dados históricos de terremotos”, diz um relatório do Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico. “Entretanto há a possibidade um tsunami local que pode afetar a costa de locais a até 100 km do epicentro do terremoto.”

O terremoto foi sentido também na República Dominicana, segundo autoridades locais. “Em todos os lugares se sentiu efeitos do tremor”disse o diretor da Defesa Civil do país, alegando não ter registro de danos e feridos. “Estamos monitorando os lugares mais vulneráveis.”

O governo da República Dominicana alertou aos habitantes da costa do país para que busquem abrigo em locais mais altos para evitar o risco de um possível tsunami deixar vítimas.

Funcionários do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Cuba, em Santiago de Cuba, disseram também terem sentido o tremor. Segundo eles, não há informação sobre danos, entretanto.

Haiti – Com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, o Haiti é o país mais pobre do hemisfério ocidental, de acordo com a CIA. A população sofre com as mortes provocadas por doenças como a Aids, além de problemas causados pela falta de saneamento básico. O país tem altos índices de mortalidade infantil e baixas taxas de crescimento populacional.

O Brasil comanda cerca de 7.000 soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, enviada ao país em 2004, e tem cerca de 1.300 homens na região.

O Ministério da Defesa brasileiro informou não ter informações se o terremoto teria afetado as forças brasileiras no Haiti.

Ajuda – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse estar acompanhando as notícias sobre o terrmoto no Haiti e que está “disposto a ajudar”. Obama ordenou ao Departamento de Estado e ao Pentágono que preparem ajuda humanitária para, se necessário, enviar ao Haiti

“Estamos vigiando a situação estreitamente e estamos prontos para ajudar a população do Haiti”, disse Obama.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que o país vai oferecer ajuda militar e civil ao Haiti. “Os Estados Unidos estão oferecendo assitência completa ao Haiti e outro na região. Estaremos oferecendo tanto ajuda civil quanto militar e assistência humanitária, e nossas preces estão com o povo que sofreu, suas famílias e seus queridos”, disse.

O Comando Sul do Pentágono avalia a localização de seus navios no Caribe para uma possível missão de ajuda ao Haiti, que nesta terça-feira foi abalado por um terremoto de 7 graus na escala Richter.

“Estamos observando que recursos temos disponíveis para mobilizá-los. Vamos analisar o que há nas cercanias”, explicou à Agência Efe a comandante Heidi Lenzini.

Os governos da França, da Colômbia e da Venezuela também já falaram em enviar ajuda ao país. O presidente Hugo Chávez ordenou o envio imediato de ajuda ao Haiti, afetado por um forte terremoto nesta terça-feira, assim como uma equipe de 50 especialistas em resgate de vítimas.

O anúncio foi feito hoje à noite pelo ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro. Em declarações à imprensa, Maduro disse que a ajuda será enviada “assim que amanhecer”.

O enviado especial da ONU para o Haiti, o ex-presidente americano Bill Clinton, manifestou sua disposição de fazer “tudo o que for necessário” para ajudar o povo desse país. “Meus pensamentos e orações estão com o povo do Haiti”, disse o ex-presidente americano em comunicado divulgado pela fundação que leva seu nome.

“Temos o compromisso de fazer tudo o que for necessário para ajudar o povo do Haiti nos trabalhos de resgate, recuperação e reconstrução”, acrescentou.

Já a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), Stéphanie Bunker, disse à Agência Efe que foram iniciados os preparativos para enviar a Porto Príncipe uma equipe da unidade de Coordenação e Avaliação de Desastres das Nações Unidas (Undac).

O Banco Interamericano para o Desenvolvimento anunciou a liberação imediata de US$ 200 mil para ajudar na reconstrução do que o terrmoto destruiu no Haiti.

(Portal G1)

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