Angra dos Reis – Sonhos interrompidos pela tragédia, famílias destroçadas pela dor da perda de filhos e entes queridos. Os deslizamentos de encostas no Centro de Angra dos Reis, no Litoral Sul Fluminense, e na enseada de Bananal, na Ilha Grande, provocaram a morte de 43 pessoas — elevando para 67 o número de óbitos em todo o estado — e deixaram rastro de destruição. No lugar das comemorações do Réveillon, amigos e sobreviventes precisam agora reunir forças para tentar reconhecer corpos e enterrar familiares. Até ontem, 27 vítimas haviam sido identificadas e liberadas pelo Instituto Médico Legal (IML).

A dor dos familiares no velório coletivo das vítimas do deslizamento de Angra dos Reis e Ilha Grande. Foto: AFP

Em Angra, cerca de 300 pessoas, entre parentes e amigos de vítimas, participaram de velório coletivo no Colégio Estadual Arthur Vargas. Sem documentos, perdidos nos escombros, parentes tiveram dificuldade para liberar os corpos. Uma das sobreviventes do Morro da Carioca, Fabiana <MC0>Emídio de Carvalho, 22 anos, perdeu a mãe e seis irmãos, o mais novo de apenas seis meses. “Minha vida acabou”.

Entre as vítimas da avalanche em Ilha Grande estavam as irmãs Gabriela, 9 anos, e Geovana Repetto, 12. Os pais das meninas, o empresário Marcelo de Assis Repetto, 45, e Cláudia Repetto, 42, proprietários da rede de lojas Avaphoto, sobreviveram, mas estão em estado grave em hospitais do Rio. Cláudia teve as pernas esmagadas.

“As filhas eram a vida deles”, disse Sérgio Allak, sócio de Marcelo. No imóvel soterrado — alugado para o Réveillon — também morreram os tios, Renato de Assis Repetto, 60, e a mulher Ilza Maria Roland, 50. Giovanna Ribaski Repetto colecionava mais de 200 amigos no Orkut e estudava no Centro Educacional Espaço Integrado, na Barra da Tijuca. A família morava no Jardim Oceânico, Barra. Ontem, mais de 500 mensagens foram postadas para elas. 

Uma família inteira de Arujá (SP) morreu: o empresário de uma fábrica de brinquedos Márcio Luiz Baccin, 31, a mulher Cecília Baccin, 30, grávida de seis meses, e o filho do casal, Geovani, 3. O comerciante Flávio Larine, filho do prefeito de Arujá, Abel Larine, se salvou. Mas a noiva, a dentista Emanuela Rodrigues Neto, 30, está desaparecida. Ficaram noivos no Natal e pretendiam se casar em novembro. O amigo Luiz Henrique Alegri, que se salvou, voltou para Arujá sem a namorada, a auxiliar de vendas Fernanda Muraca, 27. Flávio e Luiz Henrique foram jogados ao mar. Ricardo Ferreira da Silva, 33, e Natália Pacheco, 30, planejavam casamento em março. Os corpos estão entre os identificados.

Ademir Pereira viu a irmã, Clemilda de Jesus Pereira, 44, e outra filha, Aline de Brito Pereira, 22, abraçadas, semi-enterradas, na Enseada do Bananal, já mortas. Também não conseguiu salvar a sobrinha Gabriela, 12, soterrada até a cintura.

(O Dia)

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