Eleito personagem ibero-americano de 2009 pelo espanhol El País e homem do ano pelo francês Le Monde (leia comentário de Guilherme Fiuza), Luiz Inácio Lula da Silva recebe agora mais uma homenagem internacional: o conceituado jornal inglês Financial Times colocou seu nome em uma lista das 50 pessoas que moldaram a década de 2000. Dividida em quatro categorias – política, negócios, economia e cultura – a lista não segue uma ordem de importância. Lula foi a única pessoa da América Latina a aparecer na lista.

O FT chama Lula de “o presidente mais popular da história do Brasil” e destaca que, apesar do carisma e da capacidade política do presidente, o que faz os brasileiros realmente gostarem dele é a inflação baixa. Além disso, Lula, segundo o FT, teve “habilidade suficiente para não alterar a política macroeconômica” do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas expandindo programas de aumento de renda “baratos e efetivos”. “Sob sua supervisão, o Brasil tem finalmente começou a concretizar o seu enorme potencial.” Segundo o FT, várias previsões, incluindo a do Fundo Monetário Internacional, esperam que o Brasil seja a quinta maior economia do mundo antes de 2020.

Na política, ao lado de Lula, estão escolhas óbvias, como o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, principais líderes ocidentais na Guerra do Iraque; o ambientalista e ex-vice-presidente dos EUA Al Gore; e líderes atuais, como o americano Barack Obama, o chinês Hu Jintao, a alemã Angela Merkel, o russo Vladimir Putin e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Entre as faces que mudaram a política da década estão ainda Osama bin Laden, líder do grupo terrorista al-Qaeda, responsável pelos atentado de 11 de Setembro, e AQ Khan, arquiteto do programa de armas nucleares do Paquistão, acusado de compartilhar informação nuclear com o Irã, a Líbia e a Coreia do Norte. Paul Kagame, presidente de Ruanda, e Trevor Manuel, ex-ministro da economia da África do Sul, são os únicos líderes africanos na lista.

Na categoria negócios, destaque para os inovadores: Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google; Jeff Bezos, fundador e diretor executivo da Amazon.com, a maior das lojas online; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Willians, fundadores do Twitter; e Steve Jobs, diretor executivo da Apple que mudou a história dos anos 2000 pelo menos duas vezes – primeiro, no início da década, com o iPod, depois, em 2007, com o iPhone.

O investidor americano Angelo Mozilo é outro “vilão” da lista. Mozilo é considerado um dos responsáveis pela quebra do mercado de subprime, um tipo de hipoteca de grande risco direcionada a potenciais maus pagadores, que culminou em uma crise econômica global e recessão em diversos países. Lloyd Blankfein, diretor executivo do Goldman Sachs, maior banco de investimento do planeta, também foi listado, entre outros nomes clássicos, como do bilionário Warren Buffett.

A categoria economia é a menor, com apenas cinco nomes, quatro deles ligados a governos: Ben Bernanke e Alan Greenspan, atual e ex presidente do Fed, o Banco Central americano; Liu Mingkang, presidente da Comissão Reguladora dos Bancos da China; e Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu. O quinto nome é o do turco naturalizado americano Nouriel Roubini, presidente do grupo de consultoria RGE Monitor, que fez previsões econômicas catastróficas no início da década.

A área de cultura inclui desde o biólogo britânico Richard Dawkins até John de Mol, produtor de televisão holandês que criou o formato do reality show Big Brother, passando por sucessos da música – o casal Jay-Z e Beyonce -, da literatura – JK Rowling, autora da série de livros Harry Potter -, da televisão – a apresentadora americana Oprah Winfrey – e da internet – Mark Zuckerberg, fundador da rede social Facebook.

Ainda na lista está Hamad bin Jassim, primeiro-ministro do Qatar e investidor da rede de televisão Al Jazeera, se destacou por alcançar um nível de liberdade de expressão raramente visto no mundo árabe e por oferecer, através do canal Al Jazeera English, uma abordagem não ocidental dos acontecimentos no Oriente Médio.

Vale destacar a presença de quatro indianos na lista, o maior número de listados entre os países do Bric. Três são mulheres: Sonia Gandhi, nascida na Itália, presidente do Partido do Congresso, maior partido político indiano, e viúva do ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi; Kumari Mayawati, ministra chefe (equivalente no Brasil ao cargo de governadora) do estado de Uttar Pradesh – o mais populoso da Índia – e líder do partido Bahujan Samaj, que representa as castas mais baixas do hinduísmo; e Indra Nooyi, que começou a carreira como gerente de produtos na Índia e hoje é diretora executiva da PepsiCo.

O quarto indiano é o empresário Lakshmi Mittal, apontado como um dos principais responsáveis pela nova configuração da indústria do aço. Mittal é presidente da Arcelor Mittal, um conglomerado industrial de produção de aço, e mora na Inglaterra há mais de 20 anos.

(Revista Época)

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