Por Luis Nassif

O software livre já se tornou uma realidade econômica. Hoje, os principais aplicativos “commoditizados”  (de uso comum) são desenvolvidos por comunidades de desenvolvedores trabalhando colaborativamente em nível global.

Na área dos Blogs, a comunidade WordPress criou um vencedor, que sobrepujou sistemas criados inclusive por gigantes como o Google. Nos browsers, a comunidade Mozilla criou um navegador – o Firefox – imensamente superior ao Internet Explorer (da Microsoft) e ao Chrome (do Google). Nas redes sociais, sistemas como o Joomla e o Drupal se tornaram referência. Nos sistemas para desenvolvimento de aplicativos, o Java – criado pela Sun – sobrepujou o ActiveX, da Microsoft. Nos sistemas operacionais, o Linux tornou-se definitivamente a grande plataforma rival do Windows. O grande reinado do Office – o sistema de escritório da Microsoft – encontrou pela frente um único concorrente, o OpenOffice, porque os aplicativos proprietários dos concorrentes foram engulidos.

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No início, softwares livres eram utilizados apenas para sistemas fechados, como terminais bancários ou de supermercados. Mas os desktops e redes de pequenas e médias empresas continuavam prisioneiros do sistema Windows.
À medida em que vários desenvolvedores de Linux começaram a oferecer interfaces gráficas, mais amigáveis, e que o OpenOffice conseguiu trabalhar arquivos do Office, houve um avanço – ainda que tímido – sobre os desktops.

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Mas o grande desafio mesmo é o uso do software livre para a área pública. O Ministério do Planejamento tem uma área destinada a essa disseminação, trabalhando com o apoio operacional do Serpro e da Dataprev.

A lógica é boa. O portal disponibiliza sistemas em software livre, que tenham sido registrado no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) e com todos os fontes acoplados. Quem quiser utilizar, basta baixar do portal e customizar para uso próprio.

Em tese, cada prefeitura, órgão público, empresas podem baixar o sistema. Depois, a prefeitura contrata um desenvolvedor local que faz o trabalho de customização. Dissemina-se a contratação de serviços na própria comunidade e permite-se a assimilação de princípios e sistemas pela cidade.

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Na prática, o sistema padece de alguns problemas. Pouco mais de 50 prefeituras de todo o país estão aparelhadas para trabalhar com TI (Tecnologia da Informação). Não há mão-de-obra ou empresas especializadas na maioria dos municípios. O Planejamento tenta contornar esse empecilho envolvendo no programa  as CEFETS (rede federal de escolas técnicas). Mas ainda há pouca massa crítica.

Há formas de indução, como financiamentos do BNDES para modernização do TI das prefeituras. Ou a exigência para que determinadas informações só sejam passadas via internet.

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É questão de tempo para se consolidar o novo modelo. No futuro próximo, o desenvolvimento de sistemas será substituído pela contratação de serviços, seguindo a tendência da Internet. Em vez de vender softwares, licenciamentos, projetos, as empresas desenvolverão produtos básicos, facilmente customizáveis, e alugarão para municípios, autarquias ou setor privado.

(Ultimo Segundo)

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