O pioneirismo da categoria bancária na luta pela igualdade de oportunidades no mercado de trabalho foi o ponto central das palestras apresentadas no seminário sobre o tema, organizado pela Contraf-CUT e realizado no Sindicato dos Bancários do Rio, na quinta-feira (3/12), no Rio.

O evento contou com participação do presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, e da secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvândia Moreira Leite, que fizeram uma avaliação das conquistas de igualdade de oportunidades alcançadas na Campanha Nacional dos Bancários 2009.

“Tratamos durante a campanha as questões de igualdade no mesmo patamar que as questões econômicas e com isso conseguimos avanços importantes”, sustenta Carlos Cordeiro. “É importante fazer o resgate do histórico de conquistas da categoria para mostrar aos novos bancários que nenhum dos avanços que tivemos foi por benevolência dos bancos, mas sim fruto da luta dos trabalhadores”, concluiu.

Juvândia destacou a importância da ampliação da licença-maternidade para seis meses. “É uma conquista de toda a sociedade e não só das mulheres. Agora, a luta é pela consolidação desse direito, que não se dá apenas com a adesão dos bancos. As bancárias devem fazer uso desse direito e a sociedade precisa ter compreensão de que os ganhos não valem apenas para as mulheres, mas que se trata de uma conquista social”, afirmou.

Pioneirismo

“Temos que nos orgulhar dessa posição importante de pioneiras na luta pela igualdade de oportunidades no país”, disse Ana Tércia Sanches, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e funcionária do Itaú Unibanco. Ela referia-se a adoção desse eixo de luta pela categoria na campanha salarial de 1999 e da conquista de uma cláusula sobre a questão na Convenção Coletiva de Trabalho de 2000.

Ana Tércia traçou um histórico da luta, destacando que ainda nos anos 90 havia pouca visibilidade do movimento das bancárias, em função da circunscrição da organização da luta a “pequenos grupos”. Ela ressaltou ainda a baixa participação feminina naquela década, a equivocada visão sobre os avanços conseguidos pelas mulheres no interior da CUT – atribuídos menos à luta sindical do que à política de cotas a elas dedicada pela central.

Estratégias

Sobre as estratégias e perspectivas do movimento das bancárias no campo da iguladade de oportunidades, Ana Tércia defendeu a manutenção da organização, o aumento do número de sindicalizadas, a manutenção de creches nos eventos sindicais, o incentivo da participação de mulheres nos espaços sindicais (OLT, assembléias, congressos) e a política cotas nos organismos sindicais. Ela defendeu também a preparação dos dirigentes para debater a igualdade de oportunidades nas bases, além de incentivar a participação das mulheres nos diversos fóruns sindicais (empoderamento).

CUT

A secretária nacional da mulher trabalhadora da CUT, Rosane Silva, enumerou uma série de índices relativos à situação das mulheres no mundo do trabalho, na vida e no movimento sindical. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) dão conta de que 7% das mulheres, no mundo, vivem em absoluta miséria; 30% recebem salários menores do que os dos homens; 12% atuam no trabalho formal e 25% são sindicalizadas, inclusive, no meio rural.

Em março de 2003, as trabalhadoras brasileiras do meio rural conquistaram o direito de figurar, junto com os homens, nos títulos de propriedade da terra. Em caso de separação, a propriedade fica com o cônjuge que cuida dos filhos.

Por mais creches

A CUT defende a ampliação das creches, inclusive nas áreas rurais, com a perspectiva de elevar o número de vagas em 11%, até 2011. Para isso, a central propõe que o movimento sindical pressione os estados e municípios para a realização dessa tarefa.

Os eixos da luta passam pela redução da jornada (sem reduzir salários, claro), salários iguais aos dos homens, ampliação das licenças maternidade e paternidade, elevação das cotas nas organizações, formação sindical e campanhas de sindicalização.

Em nome da Fetec de São Paulo, a sindicalista Maria Isabel da Silva exortou as mulheres a lutarem pela ocupação de espaços de poder, como uma posição política, ressaltando que isso não significado travar uma batalha contra os homens.

Mas, em relação aos banqueiros ela foi enfática: “Não podemos deixar que os banqueiros passem como bons moços em relação às conquistas do movimento sindical, no plano de gênero, raça e geração (juventude), especialmente sobre a questão da igualdade de oportunidades. O que eles querem é conquistar nichos de negócios”, disse.

A secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Deise Recoaro, fez uma avaliação positiva do primeiro dia do evento, lamentando apenas a ausência do Ministério Público do Trabalho e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que foram convidadas, mas não compareceram. “São duas entidades importantes e que têm um grande acúmulo de discussões sobre o tema, o que certamente levaria a uma reflexão mais ampla da categoria”, diz.

O seminário da Contraf-CUT continua nesta sexta-feira (4/12), com trabalhos sobre programas pró-equidade, uma questão emergente e assaz contemporânea. Estão previstas palestras de Lilian Marques, assessora do Dieese e Santiago Varella, assessor da Procuradoria Geral do Trabalho. Também estão na programação apresentações em mesa temática de Marcel Barros e Miguel Pereira, sobre definição de estratégias de luta pela igualdade de oportunidades.

Fonte: Contraf-CUT, com José Eurides de Queiroz, Seeb Rio

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