A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal aprovou por 31 votos contra um, nesta quinta-feira, o pedido de impeachment contra o governador José Roberto Arruda (DEM) e contra o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, acusados de comandar esquema de propina para aliados do governo.

O relator, João Pedro Ferraz dos Passos, disse que Arruda agiu com falta de decoro e vê indícios fortes de responsabilidade por todo o esquema de cobrança e distribuição de propina.

“Fica evidente a próxima relação entre o governador Arruda e Durval Barbosa, ainda que ao tempo em que Arruda era deputado e evidencia que essa relação se pautava por práticas escusas a título de propina para financiar campanha eleitoral e outros interesses não revelados”, disse o advogado.

O processo é o nono pedido de cassação dos mandatos do governador e vice de Brasília por crime de responsabilidade e será protocolado na Câmara Legislativa. A casa é obrigada a analisar o pedido e dizer se aceita ou não iniciar um processo de afastamento contra o Executivo do DF.

O relator se baseou nos depoimentos que constam no inquérito da Polícia federal e leu trechos das descrições dos vídeos em que o governador conversa com o ex-secretário Durval Barbosa sobre a distribuição do dinheiro arrecadado das empresas prestadoras de serviços ao governo do Distrito Federal.

O relator também afirmou que os indícios apontam para o envolvimento criminoso do vice-governador do DF, Paulo Octavio. “Não é razoável concluir que todas as denúncias envolvendo grande parte do governo e empresas do GDF tenham ocorrido sem a ciência do vice-governador. A sua participação foi mencionada inúmeras vezes por Durval Barbosa”, disse. “Não é razoável supor que todos esses fatos ocorridos nas entranhas do GDF não fossem do conhecimento do vice-governador. Tudo isso já induz, no meu entendimento, o crime de responsabilidade.”

Segundo o advogado João Pedro Ferraz, os fatos são de extrema gravidade e nenhuma manifestação até agora foi capaz de refutar as provas colhidas até agora pela investigação.

O conselheiro Osmar Alves de Melo comparou as explicações do governador Arruda para o recebimento dos R$ 400 mil com a declaração da rainha francesa Maria Antonieta, conhecida como “a louca”, quando recomendou a entrega de brioches ao povo que reclamava da fome em frente ao palácio. “Aqui temos uma adaptação da frase imortalizada pela mulher de Luís XVI, rei da França, mas em vez de brioches se dê panetones”, disse.

(Portal Terra)