A confraria dos DEMOS

Por João Bosco Rabelo – O Estado de SP

O governador José Roberto Arruda costuma dizer que ganhou a eleição para o governo do Distrito Federal “por dentro”. Talvez não haja expressão melhor para refletir o modus operandi político brasileiro comum a todos os governos, governantes e partidos.

Arruda sempre usou a expressão em defesa dos que lhe cobravam a permanência em seu governo de auxiliares de seu antecessor e adversário eleitoral, Joaquim Roriz. “Por dentro” se traduz como a garantia de alianças entre o governo que sai e o que entra, pela preservação dos interesses comuns. Sem essa aliança, o risco eleitoral de Arruda era bem maior do que sugere a sua folgada vitória contra Maria de Lourdes Abadia, a Dilma Rousseff de Roriz, “cristianizada” por uma base aliada previamente comprada (agora resgatam as promissórias).

Nesse contexto, o elo entre Roriz e Arruda foi exatamente o ex-policial Durval Barbosa, operador de ambos, que tinha o hábito preventivo de gravar e filmar seus parceiros para “eventualidades futuras”. Seu poder de chantagem o manteve em dois governos, de adversários que hoje se odeiam, mas que o dividem.

“Por dentro” foi uma escolha pela corrupção como sustentação política, com balcão para os negócios, gerente financeiro e uma clientela de políticos e empresários numa rede público-privada operante há mais de uma década.

Se descrita sem vídeos espetaculares, a operação em curso no DF seria mais uma candidata à impunidade, com seus atores sendo reabilitados em curto prazo pelos respectivos partidos, como ocorre agora no PT.

É certo que esse episódio servirá de munição em palanques adversários do DEM em 2010. O PT, por exemplo, comemora o surgimento do “mensalão do DEM” e dá-se por desagravado pelo fato de não estar mais só no banco dos réus. Isso lhe basta até porque o partido já absolveu seus “mensaleiros” e conta com o tempo elástico da advocacia e do Judiciário para que prescrevam seus crimes.

Mas, como há vídeos e o strip-tease continua nas telas das televisões, o DEM pagará mais caro que seus adversários pelo crime que é comum à política brasileira. A campanha política acaba para o eleitor com a contabilização dos votos, mas a arrecadação do dinheiro prossegue nos governos eleitos.

Nada de novo, pois, no horizonte de 2010, o eleitor já está anestesiado para a troca de denúncias e o País, pelas reações ao novo escândalo, se pergunta “quem não faz”, numa alusão aos partidos e políticos em geral. Na internet percebe-se, em maior volume, o desencanto que gera sempre a proposta de voto nulo.

Não haverá partido livre de flagrantes de negociatas sem uma ampla reforma política.

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