Instituto de ciências sociais vive crise financeira

Com 40 anos, Iuperj cortou salários dos docentes em 30% e não os paga há 3 meses e meio

Por Márcia Vieira

O Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), referência em ciências sociais, vive sua pior crise em 40 anos. “Estamos no fio da navalha”, diz Jairo Nicolau, diretor executivo do instituto. O Iuperj é ligado à Universidade Candido Mendes, também com dificuldades financeiras. É a universidade que paga os salários dos 18 professores do instituto, que não recebem há três meses e meio. Os 200 alunos de mestrado e doutorado em Ciência Política e Sociologia não pagam mensalidades.

A última tentativa de salvar o Iuperj é transformá-lo em Organização Social (OS), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Assim, receberia recursos do governo federal. “O Iuperj não gera benefícios financeiros. Mas oferecemos dois serviços de excelência. Já formamos mais de 120 professores que hoje estão em universidades públicas no País inteiro”, defende Nicolau.

Há alguns dias ele percorre gabinetes em Brasília em busca de apoio para que o governo federal transforme o instituto em OS, de acordo com a lei federal de 1998. Ela permite que uma entidade privada, sem fins lucrativos, receba não só isenções fiscais como dotações orçamentárias. “É o caminho que se desenhou para manter o Iuperj íntegro com a sua história. Não há outra alternativa”, afirma Nicolau. A ideia é que, como OS, o instituto faça convênio com uma universidade privada, a Candido Mendes, para que não perca seus cursos.

INTEGRIDADE – O reitor Candido Mendes de Almeida, que criou o Iuperj em plena ditadura militar, disse que o dinheiro federal é bem-vindo, mas não admite perder o controle administrativo e acadêmico sobre o instituto. E afirma que o Iuperj não vai fechar. “Prefiro fechar a Candido Mendes. As pessoas não entendem, mas o que me move é a paixão. Educar é perder dinheiro, mas manter sua integridade.”

Segundo o reitor, o Iuperj custa à universidade R$ 6 milhões anuais. Nicolau faz outra estimativa. “Os custos giram em torno dos R$ 4 milhões, incluindo salários e custos de manutenção. Os salários são pagos pela Candido Mendes e nós vamos atrás de recursos para pagar contas, comprar livros, fazer pesquisas e seminários.”

A crise do instituto vem desde 2004. Para garantir seu funcionamento, os professores concordaram em ter redução salarial de 30%. “Sei que as instituições são mortais, mas ainda cabe no País uma instituição como o Iuperj. O Rio não tem nenhum outro programa de doutorado em ciência política”, argumenta Nicolau. O acervo do instituto é rico. Sua biblioteca, aberta à consulta de pesquisadores, tem 23 mil volumes e 400 títulos de periódicos.

Link:   http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/30/preservem-o-iuperj/#more-40142

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