A vitória da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) nas eleições para o diretório nacional e a maioria dos diretórios estaduais do PT pavimenta a política de alianças planejada por Luiz Inácio Lula da Silva para sua sucessão. O grupo – que tem Lula como o seu principal líder – defende a escolha do PMDB como parceiro preferencial para 2010 e a abertura do diálogo com outras legendas aliadas, inclusive com a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa em favor da campanha da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff.

José Eduardo Dutra (SE) foi eleito presidente nacional do PT com quase 60% dos votos, a maior votação desde que o processo de eleição direta no foi criado no partido, em 2001. O CNB venceu em 17 dos 22 Estados onde a disputa foi decidida em 1º turno. Dos cinco Estados em que haverá 2ºturno, a tendência tem candidatos em todos eles. No caso de Minas e Rio, os dois candidatos são do CNB, embora nestes últimos a união com o PMDB não seja unanimidade.

Um petista que trabalha diretamente na pré-campanha de Dilma à Presidência destacou ainda que os vitoriosos em primeiro turno obtiveram percentuais elevados de votos. É o caso, por exemplo, de Edinho Silva – que defende o apoio do PT a Ciro Gomes (PSB-CE) para o governo de São Paulo – reeleito presidente do diretório paulista com 91% dos votos válidos. “Todos vão assumir com legitimidade para negociar os acordos partidários”, destacou o articulador, adiantando que muitos diretórios estaduais vão antecipar a transição e dar posse aos novos presidentes já em dezembro.

Segundo uma liderança petista, a esquerda da legenda e a Mensagem ao Partido – corrente que tem em suas fileiras o ministro da Justiça, Tarso Genro e o deputado José Eduardo Cardozo (SP) – foram os maiores derrotados. Em meados deste ano, Genro questionava o direito de Dilma ser escolhida como pré-candidata do partido à Presidência.

O resultado do PED afastou o temor de que uma disputa interna no PT, a um ano das eleições presidenciais de 2010, provocasse estragos na unidade partidária. O receio era tanto que a cúpula petista tentou, no início do ano, convencer o chefe do gabinete pessoal da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a concorrer a presidente do PT.

A esperança era que uma candidatura de consenso levasse paz ao partido, evitando “bater chapa” para escolha da militância.

“O resultado final foi muito melhor do que a candidatura consensual. Teríamos que fazer acordos com as diversas correntes. Agora não. A vitória foi legitimada pela militância”, acrescentou o líder do PT na Câmara, Cândido Vacarezza (SP).

“O PED foi um sucesso de público e de crítica”, comemorou José Eduardo Dutra. Com o maior número de votos absolutos – mais de 270 mil filiados escolheram seu nome para presidir o PT – Dutra também é, em termos relativos, o mais bem votado presidente da legenda. Ao receber quase 60% dos votos da militância, ele superou o ex-ministro José Dirceu, que recebeu, em 2001, 55,8% dos votos válidos. Em 2003 não houve eleição direta. A disputa só aconteceu novamente em 2005. Naquele ano, e em 2007, o eleito foi Ricardo Berzoini (SP). Em ambos os casos, a vitória só ocorreu após o segundo turno.

A tendência Construindo um Novo Brasil também vai ter folga no Diretório Nacional. O grupo aliou-se ao PT de Luta e de Massas e ao Novos Rumos, e indicará 60% dos delegados para a cúpula partidária que assumirá em fevereiro. Na última eleição, esse percentual era de apenas 45%. “Obtivemos uma maioria folgada”, comemorou Vacarezza.

A supremacia servirá para corrigir eventuais divergências no Congresso Nacional do PT, marcado para fevereiro. Além de anunciar Dilma como candidata oficial, o Congresso vai delinear a política de alianças estaduais. Dessa maneira, a corrente majoritária poderá impor a parceria com o PMDB sem o desgaste de promover intervenções em diretórios descontentes. “O PT está mais maduro, nunca vivemos um momento de unidade tão grande. Aprendemos a ser governo e sabemos o que queremos em 2010″, disse Vacarezza.

Para José Eduardo Dutra, um partido unido é meio caminho andado para o êxito nas eleições de 2010. Ele não quer opinar sobre o impasse no PSDB entre os nomes de José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) para disputar a presidência com Dilma em 2010. “Para nós, não importa saber quem será nosso adversário. Temos que mostrar o que fizemos em oito anos de governo Lula, comparando com o que eles fizeram em oito anos de Fernando Henrique”, afirmou.

(Blog do Favre)