Após explorarem a folha de pagamento dos servidores municipais por mais de 4 anos, o Itaú e o Bradesco receberão quase 1/5 do valor pago por eles em 2005, como indenização por resilir o contrato antes do termo (ele venceria em setembro e nada custaria ao município nessa data).

A partir de 2012 os servidores poderão optar pelo banco de sua escolha, ou seja um novo contrato em 2010 com o Banco do Brasil teria um valor essencialmente por dois anos, mas tudo indica que mesmo assim o BB estaria disposto a pagar R$ 726 milhões para substituír o Itaú. Kassab comemora.

Diego Zanchetta e Leandro Modé – O Estado de Sao Paulo

Uma mão aumenta o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 1,7 milhão de imóveis e a tarifa de ônibus de 3 milhões de passageiros. A outra busca receita extra de R$ 2 bilhões além dos R$ 28,1 bilhões já previstos no Orçamento enviado à Câmara Municipal. É assim que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) desenha seu segundo ano à frente da Prefeitura. Para amenizar o desgaste de medidas impopulares, a tática é contar com o maior caixa possível para investir em obras de setores como saúde, transportes e educação.

A última ação para engordar o caixa foi confirmada ontem: a substituição dos bancos Itaú e Bradesco, respectivamente, na gestão dos pagamentos de funcionários e fornecedores da Prefeitura. Partiu do Município a iniciativa de propor ao Banco do Brasil (BB) o contrato de cinco anos, que vai render ao Tesouro R$ 726 milhões. Mesmo tendo de pagar multa de R$ 96 milhões aos bancos privados, cujos contratos venceriam em setembro, Kassab sai no lucro e poderá acelerar obras como os três hospitais prometidos em campanha eleitoral (Brasilândia, Parelheiros e Vila Matilde) e o projeto de monotrilho na Avenida Celso Garcia, na zona leste. Nada mau para uma administração que pisou no freio em 2009, ao ver o Orçamento ficar quase R$ 5 bilhões abaixo do esperado.

No primeiro contato com executivos do BB, Kassab foi aconselhado a conversar antes com Itaú e Bradesco. O banco público gostou da proposta – desde a compra da Nossa Caixa, o Estado de São Paulo se tornou prioridade -, mas temia criar atrito com seus concorrentes privados. Kassab seguiu o conselho e fechou o acordo anunciado ontem pelo secretário de Finanças, Walter Aluisio Rodrigues.

Segundo Aloisio, a negociação com os bancos foi amigável, apesar de valores tão expressivos e de os bancos terem pago R$ 529 milhões à Prefeitura, no início da gestão José Serra (2005-2006). Itaú e Bradesco vão deixar de movimentar R$ 1,75 bilhão por mês – R$ 1,2 bilhão pagos a 20 mil fornecedores e R$ 550 milhões dos salários de 211 mil servidores ativos e inativos. O contrato com o Banco do Brasil deve valer a partir de janeiro.

Essa receita extra obtida com a troca dos bancos se soma aos R$ 644 milhões adicionais que Kassab espera obter com o aumento do IPTU em até 40%, para imóveis de uso residencial, e 60% para os demais. Outros R$ 300 milhões virão do crescimento da verba obtida com tributos como os Impostos sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e Sobre Serviços (ISS) e o maior repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS). Para completar, Kassab quer passar à iniciativa privada o gerenciamento do bilhete único, por R$ 212 milhões. Com essa receita, o prefeito disse a pessoas próximas estar satisfeito com seu secretário de Finanças, que não se fez de rogado: “Com certeza, 2010 será um ano bem melhor para obras e investimentos.”

( O Estado de SP)

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