Por Vera Rosa – O Estado de SP

A ministra Dilma é muito diferente do presidente Lula e, mesmo no PT, há quem diga que ela é uma candidata sem carisma, fabricada no Palácio do Planalto. Como torná-la simpática?

Em primeiro lugar, qualquer que fosse o candidato do PT entraria em desvantagem em uma comparação com o Lula. Esse é o fato. Lula é um fenômeno político, não do PT, mas do Brasil. Não é verdade que Dilma foi fabricada no Planalto. O nome dela não surgiu da cartola do Lula.

Mas foi o presidente que decidiu, não passou pelo PT…

Dilma foi uma grande revelação do governo Lula. Agora, carisma é uma qualidade intangível, você não inventa. Eu, particularmente, acho que o governador José Serra (PSDB) também não tem nenhum carisma.

Quer dizer que vai ser uma eleição dos sem carisma?

Dentro do conceito tradicional de carisma, poderia se dizer que sim (risos). Exatamente pelo fato de os candidatos até agora não terem aquilo que se chama carisma, isso vai possibilitar que a eleição seja mais politizada. É até bom do ponto de vista do debate programático.

Se Dilma for eleita, o governo comandado por ela será mais à esquerda do que o de Lula?

Eu tenho cuidado ao usar o termo “esquerda” porque depois isso é utilizado para dizer que queremos assustar o capital. Da mesma forma que o segundo mandato do Lula foi mais avançado do que o primeiro, eu acho que o governo da Dilma tem condições de aprofundar mais as mudanças. É um processo.

Dilma disse que a tese do Estado mínimo faliu. O PT defende a volta do Estado máximo?

Entre o Estado mínimo e o Estado máximo há o Estado necessário. A crise sepultou de vez aqueles que achavam que o Deus mercado regulava e resolvia todos os problemas. Não significa que o Estado tenha de voltar a produzir locomotiva, mas significa que o Brasil não pode prescindir de instrumentos estatais fundamentais, como é o caso da Petrobrás e dos bancos que restaram.

O deputado Ciro Gomes, do PSB, está bem posicionado na disputa nacional, mas Lula quer que ele seja candidato em São Paulo, apesar da resistência do PT. É possível convencer o eleitor que um político com a carreira construída no Ceará entenda dos problemas de São Paulo?

Ciro é um aliado importante e tem capacidade para postular qualquer cargo. Se ele apresentar seu nome para ser candidato a governador, o PT não pode estabelecer veto. Ciro é paulista e tem amplo conhecimento da política nacional como um todo. Eu senti esse preconceito quando disputei o governo de Sergipe, em 2002. Diziam que eu era um forasteiro.

Não é um vexame o PT ficar sem candidato próprio no maior colégio eleitoral do País?

Eu não coloco a questão de candidatura própria em São Paulo ou em qualquer Estado como um fetiche. É preciso desprendimento. Não podemos encarar isso como um Fla-Flu. A meta é ganhar o governo de São Paulo e fortalecer a campanha da Dilma.

A direção do PT pode intervir em algum Estado para garantir a aliança com o PMDB?

A estratégia será decidida pelo congresso nacional do PT, em fevereiro. Não se trata de intervenção. Esse congresso vai acontecer antes dos encontros estaduais e estabelecerá quais são as prioridades para as eleições.

(O Estado de SP)

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