TEGUCIGALPA (Reuters) – Honduras, isolada internacionalmente desde o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya em junho, vai realizar contestadas eleições gerais no domingo, que alguns esperam ser uma saída para a pior crise na América Central em décadas.

Os principais candidatos à Presidência são: o favorito Porfirio Lobo, do Partido Nacional de oposição, e Elvin Santos, o ex-vice-presidente de Zelaya. Ambos disseram esperar que o mundo reconheça os resultados do processo.

Zelaya, refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde setembro, pediu um boicote às eleições, que afirma serem ilegais porque estão sendo conduzidas pelo governo golpista encabeçado por Roberto Micheletti.

PORFIRIO LOBO

Porfírio “Pepe” Lobo, faixa preta em Tae Kwon Do, tenta pela segunda vez chegar à Presidência, para o qual é o favorito segundo as pesquisas, após ter sido derrotado por Zelaya em 2005.

Naquela ocasião, sua proposta de pena de morte para bandidos e deliquentes foi uma das razões para perder votos no país conservador e católico. Assim como o presidente deposto, ele é um empresário agrícola que cresceu em Olancho, onde Zelaya nasceu. Ele se diz amigo do presidente, mas se manteve à margem da crise política iniciada com a derrubada de Zelaya e defende o processo eleitoral do domingo, argumentando que o processo estava programado desde antes do golpe de Estado.

Como Micheletti, é deputado há anos no Congresso e já ocupou a Presidência da Casa. Sua campanha é baseada na luta contra a criminalidade fora de controle no país e na melhoria de salários.

Durante discurso de campanha na terça-feira, o candidato de 61 anos advertiu que não aceitará imposições estrangeiras.

ELVIN SANTOS

Santos, um engenheiro civil educado no Texas, encabeçava as pesquisas logo após a convocação das eleições em maio, mas com o golpe seu Partido Liberal foi abalado pelo conflito entre Zelaya e Micheletti.

É um dos líderes políticos mais jovens de Honduras, a quem Zelaya apoiou dentro do partido e converteu em seu vice-presidente, mas se distanciou posteriormente.

Membro de uma das famílias mais ricas de Honduras, o programa de governo de Santos é baseado no combate à pobreza em Honduras, um dos países que mais sofre com o problema no continente. Mas não está claro como ele conseguiria superar os cortes de ajuda internacional impostos por muitos organismos e países como sanção ao país pela ruptura com a ordem constitucional desde o golpe.

Casado com quatro filhos, Santos concorda com Lobo que as eleições são o caminho para superar a crise no país e exige que a comunidade internacional respeite os resultados.

(Reportagem de Tomás Sarmiento – UOl Noticias)

Anúncios