O número de vagas ociosas nos cursos de universidades federais subiu 117% em apenas um ano. Em 2008, 7 387 vagas oferecidas nos vestibulares não foram preenchidas, segundo o último Censo da Educação Superior, divulgado nesta sexta-feira (27). O governo Lula investe R$ 2 bilhões em um projeto de ampliação das federais. O número de lugares não ocupados representa a metade das vagas criadas no mesmo ano (14 mil) por esse programa de expansão.

Segundo especialistas, as vagas ociosas, além de representarem um direcionamento equivocado do governo, são mais uma demonstração da saturação do mercado do ensino superior brasileiro. Este foi o primeiro ano, desde 1998, que o número de universidades, faculdades e centros universitários diminuiu. Desde o fim dos anos 90, com a facilitação de concessões para abertura de universidades privadas, o sistema cresceu mais de 100%.

O número de universitários brasileiros chegou em 2008 aos 5 milhões, mas o ritmo do crescimento tem caído. As únicas áreas que ainda registram forte aumento são a educação a distância e os cursos tecnológicos.

“O MEC fez uma expansão desenfreada das universidades federais”, afirma o especialista em ensino superior Carlos Monteiro. “Não teve planejamento. Em algumas regiões o aumento era desnecessário, não havia demanda. Em outras, os cursos abertos não tinham atratividade.” Para ele, o problema vai se intensificar com a abertura de novas instituições em 2010, parte delas em regiões de fronteira ou no interior do Nordeste.

A Secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari, reconhece que o número é significativo e diz que o governo está estudando as razões. As cerca de 7 mil vagas ociosas representam 4,3% do total de 169 mil oferecidas em 2008 pelas federais.

Ela acredita que muitos estudantes não saibam ainda dos novos cursos, instalados em cidades pequenas, e defende campanhas sobre o programa. Maria Paula também admite que possa haver cursos – antigos ou recentes – que não atendam aos interesses dos alunos. “Podemos fazer mudanças.” Um dos focos são cursos para formação de professores.

Segundo estimativas, cada vaga em uma universidade federal custa R$ 12 mil. O País tem hoje 57 federais, com 643 mil alunos.

(Portal RPC)

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