BRASÍLIA – A Caixa Econômica Federal fecha no início da próxima semana a compra de 49% do capital votante do Panamericano. A informação foi confirmada na quinta-feira em Fato Relevante divulgado pelo banco do Grupo Silvio Santos. Para ter gestão paritária no conselho de administração do Panamericano, a Caixa também comprará 20% do capital não votante, o que vai resultar em uma participação total de 37% das ações da instituição, forte no segmento de financiamento de veículos.

A Caixa tem estudos que apontam necessidade urgente de ampliar a carteira de crédito para enfrentar a concorrência. Por isso, a instituição estaria de olho em bancos que operam crédito consignado, como Cruzeiro do Sul e Bonsucesso, por exemplo, e empréstimos para empresas, como o Pine.

Fontes envolvidas nas negociações disseram que ainda falta bater o martelo sobre o valor que a Caixa desembolsará pela aquisição do Panamericano, o que está dependendo de uma avaliação final da situação econômica do banco. Mas R$ 750 milhões é considerado um valor razoável.

A operação será feita via CaixaPar (Caixa Participações) – braço financeiro da Caixa, criado no auge da crise financeira internacional. O objetivo foi permitir ao banco público comprar instituições financeiras menores, que enfrentavam problemas de liquidez, e empresas. Logo após a quebra do banco americano de investimentos Lehman Brothers, em setembro de 2008, houve pânico geral no mercado e o crédito ficou paralisado, atingindo sobretudo as menores instituições. Na ocasião, o Banco Central (BC) também autorizou bancos de maior porte a comprar carteiras dos menores e descontar do depósito compulsório, recolhimento que são obrigados a fazer na instituição.

Lucro do Panamericano caiu 35% este ano

A situação agora, conforme avaliou uma fonte ligada ao governo, é diferente, porque a aquisição tem a finalidade de ampliar os negócios da Caixa, principalmente em nichos onde ela não tem experiência, como veículos.

Segundo os dados dos balanços enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Panamericano registrou queda em indicadores importantes em seus balanços entre o primeiro e o terceiro trimestres deste ano. Nesse período, o lucro da instituição caiu 35,24%, de R$ 70,898 milhões para R$ 45,915 milhões. A carteira de crédito saiu de R$ 768,895 milhões para R$ 613,041 milhões (-20,27%) e as receitas com intermediação financeira saíram de R$ 879,598 milhões para R$ 706,241 milhões (-19,71%).

Um empresário de Goiânia, que vende veículos e motos e pediu para não ser identificado, contou que o banco tem reduzido as exigências para aprovação ao crédito e tem feito empréstimos em condições muito abaixo da concorrência só para não perder clientes.

Banco do Brasil também cogitou comprar empresa

Segundo um executivo de um grande banco, o Panamericano ainda enfrenta problemas de liquidez e, por isso, estaria oferecendo para venda suas carteiras de crédito para as grandes instituições até hoje.

A vantagem desse tipo de operação é que, além de injetar mais liquidez, permite melhorar o chamado índice de Basiléia – que no Brasil é de 11%, pelo menos. Ou seja, que obriga os bancos a terem R$ 11 em patrimônio para cada R$ 100 emprestados.

No caso do Panamericano, o indicador está em queda livre, o que pode ser comprovado no balanço trimestral (setembro): a instituição fechou o período com 17,5%, sendo que no segundo trimestre ele estava em 20%. No terceiro trimestre de 2008, o índice de Basiléia do banco era de 21,5%.

Não é de hoje que o Panamericano vinha sendo avaliado por outros bancos. O Banco do Brasil, por exemplo, chegou a cogitar o negócio, mas acabou fechando com o Votorantim no fim de 2008 , cujo perfil de atuação é semelhante ao do Panamericano. Neste caso, com fortes carteiras de crédito para financiamento de automóveis.

(O Globo Online)

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