Dubai pede prazo para pagamento de dívidas

Reconhecendo a gravidade de sua situação financeira, o governo de Dubai pediu aos bancos um prazo de seis meses para ajustar o cronograma de pagamento das suas dívidas.

Segundo o jornal norte-americano The New York Times, a afirmação foi feita em meio a negociações em andamento entre credores e a Dubai World, o braço de investimentos estatal – que ergueu consideráveis projetos imobiliários, mas que convive atualmente com cerca de US$ 59 bilhões em passivos. O pedido de prazo também se aplica para as dívidas da Nakheel, subsidiária da Dubai World.

Para os bancos que abasteceram a ascendência de Dubai – estimativas indicam que a dívida total oscila em US$ 80 bilhões -, a decisão em obter um período para negociação das dívidas mostra que Abu Dhabi, que detém consideráveis reservas de petróleo – não vai socorrer Dubai.

Ao invés disso, começa a se formar uma verdadeira reestruturação da dívida, que será partilhada entre o emirado endividado e os banqueiros. A Najeel, uma das grandes empresas do setor imobiliário local e controlada pela Dubai World, deve pagar quase US$ 3,5 bilhões de dívida sob a forma de obrigações islâmicas no mês de dezembro.

A notícia caiu como uma bomba nos mercados financeiros. Os títulos de Nakheel, responsável pela construção de projetos importantes na cidade (como o conglomerado de ilhas Nakheel) despencaram, e puxaram consigo as obrigações islâmicas – as chamadas Sukuks, que caíram em torno de 15 – e as bolsas asiáticas, com efeitos posteriores nos mercados europeus. Os efeitos só não foram maiores devido ao feriado de Ação de Graças (Thanksgiving) nos Estados Unidos.

Ironicamente, o anúncio foi feito após a venda de US$ 5 bilhões em bônus do Tesouro do emirado. Segundo declarações de Dubai, os bônus não seriam utilizados para apoiar a Dubai World, que deve ser reestruturada pela empresa britânica Deloitte.

Fontes: The New York Times e France Presse (via nota na Folha de São Paulo)

(Blog do Nassif)

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