Segundo Dimenstein, “FHC é padrinho de Lula”.

O Lula, segundo Dimenstein, “pegou a inflação baixa” (inverídico: a meta de inflação do BC em 2002 era de 3,5% e a inflação foi de 12,5%).

Ainda segundo Dimenstein, Lula pegou “um país em rota de crescimento” (inverídico o PIB só entrou em rota de crescimento em 2004. 2002 foi 1,9% e 2003 0,5%, ou pelo novo método de calculo 2,7% e 1,1%. Passando em 2004 a 5,7%*).

“As bases do Bolsa-família em andamento” acrescenta o jornalista da Folha, Comparando três programas desconexos (a Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Vale Gás) e de pouca abrangência, com o Bolsa-família -batizado de Bolsa-esmola pelos tucanos- que atingem 44 milhões de brasileiras e brasileiros.

Por último, vejam só “As finanças públicas tinham passado por medidas importantes como a lei de responsabilidade fiscal.”, certo. Aqui é o silêncio do jornalista é que grita sua parcialidade. Lula herdou o maior socorro jamais fornecido pelo FMI a um país em crise, com reembolsos pesados, uma dívida externa gigantesca (a dívida pública passou, de 30,2% do PIB, em 1994, para 55,9% do PIB, em 2002. A dívida interna aumentou de 30% para 60% do PIB**). Um país sem Reservas nenhuma e com balança comercial por anos deficitária. Juros estratosféricos (A média da taxa de juros real foi de 21,4%, no período de 1997 a 1999; de 15,8%, no período de 2000 a 2002**) e carga tributária escorchante (Em 1994, a carga tributária era de 28,6% do PIB; em 2002 ela estava 35,8%)**.

Finalmente, não sei o que é pior, se é essa reescritura da história, ou o insulto da afirmação que os que não pensam como Dimenstein, seriamos “desequilibrados”. Ou seja, a maioria dos brasileiros não estariam sendo equilibrados na rejeição à era FHC. Quanta pretensão e arrogância! Quanto desprezo pelo julgamento político da população.

Para Dimenstein Lula é hábil, sortudo, esperto. Sua inteligência, vejam vocês, é essencialmente ter continuado FHC. O “Farol de Alexandria” –dixit PHA- é a luz que balizou o caminho do barbudo.

Lula “é o cara” para o Brasil e o mundo. Mas o herói da história de Dimenstein, é FHC.

É o que ele chama de “equilíbrio”.

LF

A seguir a “Pensata” de Gilberto Dimenstein

“Leio análises falando que um dos pontos vulneráveis de José Serra –e teria aparecido na mais recente pesquisa mostrando a subida de Dilma Roussef– é Fernando Henrique Cardoso, com alta taxa de rejeição. Por isso, o ex-presidente seria escondido na campanha. A verdade é que, por outros motivos, FHC é o grande padrinho de Lula –qualquer pessoa com um mínimo de equilíbrio terá de concordar com isso.

Em essência, o governo Lula é a continuidade da gestão anterior –e aí está um dos pontos mais inteligentes do presidente. Ele pegou a inflação baixa, um país na rota do crescimento, as bases de seu mais importante programa social em andamento (o Bolsa Família). As finanças públicas tinham passado por medidas importantes como a lei de responsabilidade fiscal.

Lula soube aprimorar o que recebeu. Radicalizou a política social, manteve as bases econômicas. Para completar, além da sorte com a descoberta do pré-sal, passou por uma época de crescimento mundial –com exceção dos últimos 12 meses. Não herdasse o que herdou, teria muito menos condições de angariar um prestígio tão grande.

É tolice não reconhecer a habilidade de Lula e seu extraordinário pragmatismo. Mas é tolo não reconhecer que FHC é seu grande padrinho, cuja alta taxa rejeição faz parte daquelas injustiças –mas será reparada pela história.”

** Os dados são do artigo PLANO REAL, DÍVIDA PÚBLICA E CARGA TRIBUTÁRIA

(Blog do Favre)