O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,3% em 2007, ante o ano anterior, gerando um valor de R$ 50,331 bilhões (1,9% do total nacional). Com este resultado o Estado permaneceu na 12ª posição no ranking nacional e na 3ª posição dentre os estados do Nordeste, em relação ao valor das riquezas produzidas.


Os dados das Contas Regionais 2007 foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e confirmam o dados preliminares do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. O Ipece, segundo a economista Eloísa Bezerra, havia calculado o incremento no PIB cearense de 2007 em 4,4%, abaixo da média nacional. O resultado consolidado pelo IBGE coloca o Ceará abaixo do desempenho do PIB da região Nordeste em 2007 (4,8%). O percentual de aumento é o quarto menor na região, ganhando apenas do Piauí (2%), Paraíba (2,2%) e Rio Grande do Norte (2,6%).

Segundo a economista Eloísa Bezerra, do Ipece, o resultado é positivo para a economia do Estado, pois o ano de comparação (2006) representa uma base elevada. “Foi um ano de forte crescimento, o maior do Brasil”, relembra. “Se o Estado ainda consegue crescer em 2007 é positivo. Não foi maior em função da agropecuária”.

Esta atividade apresentou queda de 16,3% em relação a 2006. Perdeu 1,1% de participação no total da economia cearense em 2007 e 0,5% no total da agropecuária brasileira em função das chuvas irregulares ocorridas durante 2007. O resultado foi influenciado pelas atividades de cultivo de cereais (-63,3%), particularmente pelas produções de arroz (-28,6%) e milho (-53%), além da atividade de cultivo de outros produtos da lavoura temporária (-19,7%), influenciado sobretudo pela queda na produção de feijão (-48,9%).

Algumas atividades da agropecuária inibiram uma queda maior, com o volume de 11,3% da criação de bovinos e outros produtos de origem animal (influenciado pelo incremento de 9,6% na produção de leite) e com 16,7% da criação de aves (principalmente pela alta de 8% da produção de ovos).

A indústria cearense cresceu 4,2% em 2007, com maiores contribuições da construção civil (5,1%), atividade que se apresenta em expansão desde 2004; seguida pela produção e distribuição de eletricidade e gás, água e esgoto e limpeza urbana (4,5%); indústria de transformação (3,5%). Neste segmento, os destaques positivos da transformação são as indústria de alimentos e bebidas (4,2%), têxtil (1,2%), calçados e artigos do couro (4,8%), e indústria de cimento (11,3%). Em sentido contrário as indústria de vestuário e acessório (-2,6%) e produtos de metal (-25,6%). A extrativa mineral, com menor peso na economia cearense, apresentou a maior variação, 9,3%.

O setor de serviços cresceu 4,5% em relação à 2006. A atividade de comércio e serviços de manutenção e reparação apresentou aumento de 7,0%, impulsionado pelas vendas de bens com maior valor agregado, como equipamentos e materiais para escritório e informática. Além desta atividade destacaram-se: intermediação financeira (11,9%), serviços prestados às empresas (5,6%) e serviços de informações (4,9%).

De 1995 a 2007, o Nordeste cresceu 44% em termos reais. Apenas Ceará (38%), Pernambuco (37%) e Alagoas (31%) cresceram abaixo da média brasileira. O destaque do Nordeste foi o Maranhão, que cresceu 60,2%. Neste estado, o incremento em 2007 foi de 9,1%, o melhor da região, com geração de R$ 31,606 bilhões. Apesar desde ritmo, Bezerra garante que o Maranhão não deve tomar a terceira colocação do Ceará no ranking nordestino.

SUDESTE EM QUEDA –  Participação do NE avança para 13,1%

São Paulo A participação do Sudeste continua sendo a maior entre as regiões no PIB (Produto Interno Bruto) do País mas, entre 1995 e 2007, apresentou queda, passando de 59,1% para 56,4%. Já o Nordeste, no mesmo período, teve o maior avanço, subindo de 12,0% para 13,1%. A fatia do Norte no PIB nacional subiu de 4,2% para 5,0%. Já o Sul passou de 16,2% para 16,6% e o Centro-Oeste, de 8,4% para 8,9%.

São Paulo teve o maior impacto na redução no Sudeste, com diminuição de 3,4 pontos percentuais nesse intervalo, mas ainda detém 33,9% da economia nacional, com ampla liderança frente o segundo colocado no ranking, o Rio de Janeiro (11,2%). Minas Gerais aparece em seguida, com 9,1%.

A economia paulista perdeu participação na indústria geral e em serviços, mas ganhou na agropecuária. A indústria de transformação do estado registrou a maior perda entre as 27 unidades da federação, com as transferências de alguns setores para outros locais, impulsionados pelos incentivos fiscais.

No Rio de Janeiro, houve avanço entre 1997 e 2000, quando a participação do estado chegou 11,9% do PIB nacional, mas, em 2007, retornou à mesma participação de 1995 (11,2%). Minas Gerais (0,4 pontos percentuais) e Espírito Santo (0,3 pp) ampliaram a fatia.

Em 2007, nove estados, representando 54% do PIB brasileiro, cresceram acima da média. Mato Grosso teve a maior alta (11,3%).

(Diário do Nordeste)

Anúncios