Apesar de o movimento ainda ser lento, o Brasil está ficando menos desigual. Foi o que constatou o IBGE, ao consolidar dados referentes às economias dos 26 estados e do Distrito Federal. Entre 1995 e 2007, enquanto a Região Sudeste reduziu a sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país, de 59,1% para 56,4%, a Região Nordeste deu um salto de 12% para 13,1%. Já o Centro-Oeste ampliou o seu peso na economia de 8,4% para 8,9%; o Norte, de 4,2% para 5%; e o Sul, de 16,2% para 16,6%. “Sem sombras de dúvidas, o Brasil passa por um importante processo de desconcentração econômica”, disse Frederico Cunha, gerente de contas regionais do IBGE.

Para ele, nem mesmo o fato de, em 2007, ter havido uma interrupção no movimento de redução das desigualdades regionais diminui a importância das informações coletadas pelo instituto. “O ano de 2007 foi marcado por uma expansão forte da indústria exportadora, quase toda concentrada nas regiões mais ricas. Em compensação, em 2008 e 2009, anos impactados pela crise, que pegou em cheio o setor industrial, veremos os estados mais pobres com desempenhos melhores, pois o governo continuou investindo. Nesses estados, a participação do setor público no PIB varia entre 20% e 25%”, afirmou.

Na avaliação de Cunha, a desconcentração ganhou impulso com a guerra fiscal travada entre os estados para atrair investimentos. A seguir, vieram as novas fronteiras agrícolas, sobretudo no Centro-Oeste, e as minerais, no Norte. Esse conjunto de fatores resultou em mais emprego e consumo. “Ou seja, muitas empresas optaram por instalar unidades produtivas próximas das matérias-primas e de potenciais dos consumidores”, destacou o técnico do IBGE. Ele citou como exemplo Goiás, que está consolidando seus polos agrícola e industrial (inclusive, automobilístico), bancados, sobretudo, pelo setor privado; e Pará, grande produtor de minérios e que está recebendo pesados investimentos na área siderúrgica.

Mudança
Diante dessa diversificação, quem saiu perdendo foi São Paulo. O estado mais rico do Brasil viu o seu peso no PIB sair de 37,3%, em 1995, para 33,9% em 2007 (menos 3,4 pontos percentuais, o maior tombo da Região Sudeste). Esse encolhimento decorreu das quedas de 9,1 pontos percentuais na participação da indústria local na geração de riquezas e de 1,5 ponto no setor de serviços. A agricultura paulista, porém, expandiu em 1,4 ponto a sua contribuição. Também o DF perdeu espaço no PIB nacional: de 4,4% para 3,8% (leia mais na página 21). Por outro lado, a participação de Minas Gerais foi de 8,6% para 9,1%; de Mato Grosso, de 1% para 1,6%; do Amazonas, de 1,4% para 1,6%; de Goiás, de 2% para 2,5%; do Maranhão, de 0,9% para 1,2%; e do Espírito Santo, de 2% para 2,3%.

“Ainda levará muito tempo para vermos uma redução mais acentuada da concentração de riqueza no país. Mas esse processo é irreversível”, assinalou o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. A seu ver, muitas empresas estão fugindo dos grandes centros urbanos, principalmente São Paulo, que estão saturados e cada vez mais caros. “Em regiões menos desenvolvidas é possível encontrar mão de obra mais barata e custos de transportes e de terra, menores”, acrescentou. Além disso, há o impulso na renda dado pelo governo por meio dos programas sociais e dos pesados investimentos federais, cujos reflexos são visíveis nas regiões Norte e Nordeste.

Para o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do Banco Central, não é mais aceitável que as oito maiores economias do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal) continuem respondendo por 78,7% do PIB brasileiro (em 1995, essa relação era de 81,5%) e que apenas o Sudeste concentre 56,4% das riquezas (há 12 anos, o índice era de 59,1%). Ele reconheceu que o governo tem contribuído para mudar esse quadro por meio de programas de distribuição de renda e de investimentos em infraestrutura, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “Mas terá que fazer muito mais, especialmente nas áreas de educação e de logística”, frisou.

Os dados do IBGE mostraram ainda que o DF continua tendo a maior renda per capita do Brasil: R$ 40.465, o triplo da média nacional (R$ 14.465).

(Correio Brasiliense)

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