O comuniquese traz entrevista de Collor falando da sua relação íntima e infantil com a Globo. O que será que ele fez pra Veja e Globo para acabar como acabou?

Da Redação do Comunique-se

Collor sobre a eleição de 89: “Globo nunca declarou “eu apoio esse candidato”.

A relação que tinha com a TV Globo ajudou e muito o ex-presidente Fernando Collor de Mello a “evitar armadilhas” durante as eleições de 1989. O senador pelo PTB de Alagoas contou, em entrevista ao UOL, que percebeu nos meios de comunicação na época receio de o Brasil ter um governo comunista. Por isso, diz ele, que a imprensa era “simpática” à sua candidatura. No segundo turno, quando concorreu com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele diz que não houve “bem um apoio” da Globo a ele. “A Globo nunca declarou ‘eu apoio esse candidato’”, disse.

A relação com Roberto Marinho e família já vinha de longa data. Collor lembra “momentos de convivência com dr. Roberto”, já que seu pai, Arnon de Mello, foi sócio do empresário em empreendimentos imobiliários no Rio de Janeiro. “Enfim, as famílias se frequentavam”, recorda, destacando que quando sua família montou uma TV em Alagoas, Roberto Marinho ofereceu a programação da Globo, tornando-se afiliada.

Essa relação, diz, “sem dúvida nenhuma, ajudou bastante a evitar armadilhas”.

Pelo que conta, as conversas com Roberto Marinho sobre seu comportamento durante a campanha eleitoral eram frequentes. O empresário e jornalista dava conselhos a Collor sobre como se portar. “Ele disse uma vez: ‘meu filho, você está muito irritado. Você não deve usar certos termos, não precisa fazer isso. Vai contra você’”. Ele se recusou a dizer que termos foram esses.

Mídia à procura de um candidato

A imprensa estava “à procura de um candidato” quando Mário Covas apareceu, podendo representar o sistema capitalista. Alguns dos veículos, segundo Collor, o viam ligado aos comunistas. Para que então ele pudesse ser lançado candidato há 20 anos foi ao plenário do Senado Federal para declarar seu apoio ao capitalismo, transmitido ao vivo, na época, durante o horário em que os principais telejornais iam ao ar. Mas o tucano Covas “não conseguiu passar a mensagem ao eleitorado e não decolou”.

“A minha candidatura foi de alguma maneira tida como simpática porque não havia outra alternativa”.

Ele diz não ter percebido qualquer problema em relação à “questão pessoal” de Roberto Marinho com Lula e Silvio Santos, pelo PMB. Collor conta que havia “notória a indisposição” entre Brizola e Roberto Marinho.

Edição da Globo no debate? O desempenho de Collor no debate no segundo turno foi melhor do que o de Lula, na opinião do atual senador. Ele não vê qualquer favoritismo da Globo em relação a sua candidatura.

“Quando a lenda é mais interessante do que a verdade dos fatos, publica-se a lenda”.

E comparou a edição do debate à edição de um jogo de futebol. “No primeiro, eu não fui bem, e isso ficou explicito na edição que fizeram (…). Mas no segundo debate eu fui muito bem. Mas como tem que ser editado é a mesma coisa que editar jogos de futebol. Vai pegar os melhores momentos do time que ganhou (…). Pareceu que houve algo editado mas não foi. Houve trabalho jornalístico claro e nítido.”.

A edição que foi ao ar provocou tanta polêmica que obrigou a emissora a não editar mais debates políticos.

(Blog do Nassif)