A inflação mais branda observada neste ano é evidenciada pelos números de outubro, divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A elevação de 0,28% é a menor para o mês, desde 2000, quando a inflação em outubro daquele ano havia sido de 0,14%.

O menor ritmo da inflação também pode ser medido pela taxa acumulada em 12 meses, que subiu 4,17%, até outubro, abaixo da meta de 4,50% estipulada pelo BC (Banco Central). É a menor alta desde outubro de 2007, quando a inflação em 12 meses chegava a 4,12%. Outro dado que evidencia a menor intensidade da inflação é relativo há um ano: em outubro de 2008, a taxa em 12 meses chegava a 6,41%.

A inflação acumulada em 2009, de 3,50%, tem um perfil baseado na alta dos produtos não alimentícios. Eles respondem por 85% dessa taxa, influenciado pela alta de 6,94% das despesas pessoais, 6,02% das despesas com educação, e de 4,86% dos custos com saúde e cuidados pessoais.

O principal impacto positivo no ano vem das mensalidades escolares, que aumentaram 5,94%, contribuição de 0,29 p.p. (ponto percentual) na taxa global. Os custos com refeição fora de casa (alta de 6,63% de janeiro a outubro) e com empregado doméstico (8,28%) significaram contribuição de 0,27 p.p.

Entre os dez itens com maior contribuição na inflação este ano, apenas um (refeição fora de casa) está ligado ao grupo alimentício.

Por outro lado, os alimentos têm alta de 2,33% de janeiro a outubro. No ano passado, a inflação desse grupo chegou a 11,11%. O preço das carnes, por exemplo, caíram 5,06% nos primeiros dez meses, contribuição negativa de 0,12 p.p. (ponto percentual). O feijão carioca tem retração de 32,10% no período, impacto negativo de 0,08 p.p.

‘Pelo menos até o fim do ano, não há perspectiva de mudança nisso. Não há previsão de grandes impactos entre os alimentos. Não devemos ter surpresas até o fim do ano’, afirmou a coordenadora de Índice de Preços do IBGE, Eulina dos Santos.

Impactado pela demanda do mercado internacional, que vem ampliando as exportações do produto, o preço do açúcar cristal acumula alta de 60,88% este ano, ante 15,17% em igual período em 2008. Já o açúcar refinado está 48,82% mais caro em 2009, ante 9,66% entre janeiro e outubro de 2008.

Entre as regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, Curitiba tem a maior alta do ano, com elevação de 4,12% de janeiro a outubro. São Paulo está logo abaixo, com 3,70%, seguido por Belém (3,68%), Belo Horizonte (3,66%), Fortaleza (3,46%), Salvador (3,44%) e Recife (3,32%).

As menores taxas foram observadas em Goiânia (2,47%), Porto Alegre (3,06%), Brasília (3,29%) e Rio de Janeiro (3,30%).

Em outubro, Curitiba apresentou inflação de 0,50%, acompanhado por Belém, com 0,48% e Rio de Janeiro, com alta de 0,39%. Logo abaixo vieram Recife e São Paulo (ambos com 0,31%), Belo Horizonte (0,24%), Brasília (0,23%), Fortaleza (0,15%), Porto Alegre (0,14%), Salvador (0,10%) e Goiânia (-0,03%).

(Folha Online)

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