PARIS, França — A organização SOS Racismo denunciou nesta quarta-feira na França a discriminação racial por parte de grandes empresas que contratam ou registram seus funcionários de acordo com sua origem étnica.

Em um relatório entitulado “O registro étnico-racial: uma ferramenta de discriminação”, entregue ao governo francês, a ONG critica a “falta de colaboração” das autoridades, às quais pediu “um reforço da luta contra o crime de registro étnico-racial para combater as práticas discriminatórias”.

“As autoridades se mostraram pouco dispostas a colaborar com a SOS Racismo e a dar uma resposta repressiva às práticas denunciadas”, afirma o documento, que cita os casos da Eurodisney, da montadora Nissan Europa e da companhia aérea Air France.

A organização denuncia que a Eurodisney estabelece fichas de caráter étnico-racial para selecionar futuros empregados e que funcionários da empresa Adecco (que presta serviços de manutenção para a Eurodisney) informaram que os trabalhadores do parque de diversões são classificados por origem: “África fora do Magreb”, “África Magreb”, “Antilhas” ou “Europa (oeste)”.

“Para a Disney, a maioria da clientela é europeia e por isso a maior parte dos funcionários devem ser europeus”, escreve a SOS Racismo.

Um oficial de justiça foi ao parque para investigar a denúncia das fichas.

“O oficial constatou que não temos nenhum documento com esta informação”, indica à AFP a direção da Eurodisney. “Todos os elementos requeridos foram comunicados. Não temos nada a esconder”.

A organização denuncia também a montadora japonesa Nissan (associada à francesa Renault), que em seu site pede àqueles que desejam se candidatar a uma vaga que informem seu país de origem (“African, Asian, Carribean, European, Latin…”).

Sobre a Air France, a ONG conta que, em 2008, o sindicato CFDT acusou a companhia de praticar uma “tipologia racial” de empregados para “voos especiais e eventos excepcionais”.

Na França, o registro étnico-racial é ilegal desde 1987. Quem infringir a lei pode ser condenado a até cinco anos de cadeia ou ao pagamento de 1,5 milhão de euros, no caso de empresas.

(Agência AFP)

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