Uma pesquisa divulgada em Maio desse ano (2009) realizada pela Fundação Perseu Abramo, aponta para o fato de que 45% dos entrevistados assumem que têm preconceito médio ou alto contra gays, lésbicas, travestis ou transexuais.

Os dados colhidos com esta pesquisa também revelaram que 25% dos entrevistados se classificaram como homofóbicos, aqueles que têm ódio, ou não toleram homossexuais. Desses, 19% admitem que têm uma homofobia “média”, enquanto 6% assumem uma homofobia “forte”.

Mas o que seria uma homofobia média e uma homofobia forte? Será que esses entrevistados quiseram classificar essa postura deles como dentro do limite do “tolerável” e “intolerável” socialmente falando? Os homofóbicos médios talvez quisessem dizer que não querem aproximação com um gay ou uma lésbica, mas ficando cada um no seu lugar, está tudo bem.

Já aqueles que se classificaram como detentores de uma homofobia forte, devem ser aqueles que atiram bombas em paradas gays, espancam casais de homossexuais se os virem juntos, ou atentam contra suas vidas, pois consideram a homossexualidade uma verdadeira aberração.

Ora, não existe homofobia pequena, média e forte. O que existe é uma discriminação que não pode ser tolerada independente do seu grau de alcance.

Por esta razão, é uma ótima notícia sabermos que o Projeto de Lei Complementar 122/06, que visa coibir a discriminação de gênero, recebeu parecer favorável da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, no último dia 14 de Outubro.

Posicionando-se em defesa do PLC, a relatora, senadora Fátima Cleide alegou que “avanços importantes referentes a direitos sexuais como direitos humanos, estão consagrados internacionalmente. O conjunto de leis firmado em âmbito internacional considera que a sexualidade integra a personalidade de todo ser humano, relaciona-se a necessidades humanas básicas e desenvolve interação entre os indivíduos e as estruturas sociais”.

É óbvio que a lei não modifica o preconceito que vai na cabeça das pessoas, mas ela o coíbe. Ela vai permitir que a discriminação seja repelida, que as agressões físicas e verbais, sejam punidas com o rigor que devem ser, e o principal disso tudo: seres humanos obrigatoriamente deverão ser vistos como tal por outro seres humanos, independente de sua orientação sexual, o que , lamentavelmente, não acontece hoje em dia, em se tratando de pessoas homofóbicas.

Caminhemos juntos, então, para pôr um fim nessa chaga social que atende pelo nome de homofobia, e que assim possamos dar espaço para que o respeito às diferenças possa, enfim, ser alcançado!

(Parada Lésbica)

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