Neste início de terceiro milênio, onde a informação é disseminada com a ajuda de um “clique no mouse”, não há mais espaço para o preconceito; isto é coisa do tempo das cavernas. Naquela época, o homem saía em busca do sustento da tribo e, na volta, entregava a presa para que “ela” preparasse seu alimento. “Ela”, por sua vez, corria para a fogueira a fim de manusear aquele delicioso javali, bem ou mal passado. A história da mulher pilotar o fogão é milenar. Ela passava a maior parte do tempo no seu habitat, também, devido à sua força física, a qual indiscutivelmente é inferior a dele, além do ônus de cuidar da prole.

Hoje em dia, isso não cabe mais, salvo os machões de plantão – aqueles que ainda estão na ilusão de que o lugar de mulher é na cozinha. Estes, sim, ainda estão na época das cavernas.

O “tremendão”, o Erasmo, na sua canção “Mulher”: “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda…”. Para ele, após um longo dia de trabalho (como o homem das cavernas), espera que ao chegar em casa, tenha a atenção total; porém, continua ele, um reclama “o seu peito, o outro reclama a sua mão”. Dependentes e carentes somos nós, que dependemos da força delas. E que força! Diz o chavão popular: “Atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher” e o ditado contemporâneo complementa que é “para empurrá-lo”. “Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego aos seus pés”, complementa o poeta, nesta já consagrada canção.

A mulher de hoje é administradora, corretora, negociadora. Ela é artista, dentista, motorista. Há algumas décadas, uma mulher no volante era motivo de chacota; quando se via uma batida de veículos, onde um dos motoristas era do dito sexo frágil, sempre se ouvia: “Só podia ser mulher mesmo”.

Hoje, as mulheres no trânsito são motivo de respeito. Elas são muito mais conscientes e precavidas que os machões de plantão. Eles, por sua vez, quando estão de posse de um volante, se acham super-heróis; puros pilotos de Fórmula 1. O Departamento Nacional de Trânsito apresentou dados de uma pesquisa, feita entre 2004 e 2007, que constatou que apenas 11% dos “motoristas envolvidos em acidentes de trânsito com vítimas eram mulheres”.

Atualmente, existem centenas delas em transportes escolares, em táxis, em ônibus e até caminhões. Fico imaginando as crianças, antes e após o horário escolar, sendo transportadas por elas. Para aguentar o falatório, só mesmo uma mulher: paciente, com seu extinto materno. Têm-se notícias que passageiros, após adentrarem em táxis, percebendo que “o” motorista era na verdade “a” motorista, desceram, dizendo que iriam pegar um táxi, dirigido por homem. Triste, mas é verdade.

Percebe-se aqui, nas ruas da Manchester Catarinense, que mais e mais mulheres estão sendo responsáveis por centenas de passageiros, por meio das suas manobras e, diga-se de passagem, com muito respeito. Como diz a nossa Carta Magna: “Homens e mulheres são iguais em direitos …”. Antigamente, os anúncios de trabalho diziam: admitimos motoristas do sexo masculino, ou, vaga masculina para almoxarifado. Graças à diminuição do preconceito, erros como estes estão se exaurindo.

Finalmente, agora são as BRs que estão ganhando um pouco mais de batom e blush no volante. Assim como Bino e Pedro, personagens da série “Carga Pesada”, da Rede Globo, protagonizada por Stênio Garcia e Antônio Fagundes, mais mulheres estão se aventurando e abraçando como profissão este novo nicho de mercado. Parece ainda que os donos das estradas seguram um certo preconceito. Elas ainda sofrem. Ainda se ouve que, “a mulher deve colocar a barriga no fogão e não no caminhão”. Sabe-se que, no fundo, lá dentro do ego, eles sentem orgulho. Portanto, meninas, bola para frente. Com vossas presenças, as estradas ficarão certamente muito mais charmosas e seguras.

alfredopenz@yahoo.com.br

*Professor e mestre em educação e cultura

(Clic Rbs)

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