Trechos da entrevista do governador Cid Gomes (PSB) à revista Carta Capital.

“Essa disputa de poder entre o PT e o PSDB a partir de São Paulo tem feito muito mal ao Brasil. O PSDB de outros locais é bem menos radical nessa linha de polarizar com o PT e vice-versa. O PT na Bahia fez, por exemplo, uma aliança com o PSDB. Isso atrasa alguns avanços que o Brasil precisa alcançar”.

“Ele (Ciro Gomes) dará a certeza, a tranquilidade aos brasileiros, de que as conquistas do governo Lula serão mantidas e que avanços em outras áreas serão buscados. O Brasil ainda precisa avançar em alguns pontos, como na reforma previdenciária, um problema anunciado para o governo em todos os níveis. É uma bomba que vai explodir”.

“A grande mídia no País procura- imprimir no Ciro algo que não cola – talvez cole na elite, mas não no povão. A imagem de um cara radical, brigão. Basta ver o seu passado. O Ciro governou o Ceará com o apoio de 36 dos 46 deputados estaduais. Quando foi prefeito, também conseguiu uma boa relação com o Parlamento, tinha uma maioria sólida. O Ciro é forjado no diálogo. Por não fazer parte dessa estrutura bipolar (que, se o PSDB se elege, o PT é contra, e vice-versa), acho que poderia transitar em vários segmentos e conseguir avanços que hoje são muito difíceis de ser alcançados”.

“O fato de o eleitor aprovar uma administração não quer dizer que votará no candidato governista. Qual seria o porcentual de transferência? É difícil dizer. Mas uma certeza eu tenho: não é 100% e a rigor fica longe disso. A transferência não é instantânea. O Lula é uma grande liderança, a maior que o Brasil teve nos últimos 40 anos. Talvez vá superar JK, seguramente, é o maior nos últimos 50 anos, mas o poder de transferência é limitado”.

(Sobre Serra)

“O principal problema dele, e o que me deixa preocupado, é que ele não tem a visão do Brasil como um todo. Ele olha muito o Brasil a partir da ótica de São Paulo, e o Brasil é muito mais do que São Paulo. Em muitas questões, o interesse médio dos paulistas é conflitante com o interesse médio dos brasileiros. Temo que, na hora H, ele fique ao lado do interesse médio de São Paulo”.

“O estilo do Serra de fazer política é muito truculento, de destruir o adversário. Para ele, a disputa não é entre oponentes políticos com visões de mundo diferentes. É uma coisa de inimigo e seu o objetivo é matar, destruir. Acho que, na Presidência, ele trataria qualquer oposição como alguém que precisa ser aniquilado. Como brasileiro e como político, me preocupa a possibilidade de o Serra comandar o Brasil”.

(Sobre Aécio Neves)

“Um grande brasileiro, absolutamente diferente do Serra. É um homem de diálogo, que compreende o Brasil, tem sensibilidade com as regiões menos desenvolvidas e, no que me consta, não tem o estilo de matar, destruir. E tem um grande mérito: sabe escolher bons assessores”.

(Sobre Tasso Jereissati)

“Dos vivos, é o maior político cearense. Estamos em partidos diferentes e vamos ver como serão as coisas no futuro”.

Fonte: Blog Política, Jornal O Povo