Hoje é o Dia Mundial e Nacional do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em Fortaleza, a data será celebrada com a inauguração, no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), às 16 horas, da maior unidade de atendimento à doença no País. São 20 leitos, neurologistas de plantão 24 horas e aparato tecnológico para diagnósticos com estrutura jamais vista em hospitais públicos ou privados brasileiros. A capacidade é atender cerca de 150 casos por mês.

O setor surge em hora mais do que necessária. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), de janeiro a agosto desse ano, o Ceará configurou-se como o segundo Estado no Nordeste em número de internações e óbitos decorrentes de Acidente Vascular Cerebral. No período, foram r-egistradas 4.452 hospitalizações e 847 mortes. No Brasil, as estatísticas relativas à doença somam 110.776 internações e 18.834 mortes.

Prevenção

A criação da unidade foi idealizada pelo membro do Departamento de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e chefe do serviço de Neurologia do Hospital Geral de Fortaleza, João José Carvalho. De acordo com ele, os altos índices da doença devem-se “provavelmente, à ineficiência de controles dos fatores de risco”.

Há aspectos que são inevitáveis, como idade (a partir dos 55 anos de idade, a incidência do AVC duplica a cada década de idade) e genética. Contudo, para outros fatores, é possível tomar uma atitude de prevenção que exige atenção e mudança de hábitos, como hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade e inatividade física.

Com base nisso, a unidade do HGF, além do socorro às vitimas, manterá ações de esclarecimento para a população a fim de prevenir a doença e ensinar as pessoas a rapidamente identificarem os sintomas.

Para completar a estrutura de assistência à patologia, outros 66 leitos para atendimento de AVC serão disponibilizados em ala específica do Hospital Waldemar de Alcântara.

De acordo com o neurologista, a criação da unidade desfragmenta o atendimento e pode diminuir em até 30% a mortalidade e em até 50% a incapacitação proveniente do Acidente Vascular Cerebral.

Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como dor de cabeça forte, em geral acompanhada de vômitos, fraqueza ou dormência no corpo, dificuldade ou incapacidade de movimentação (paralisia), perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar, perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

Tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação, além de alterações na memória e da capacidade de planejar as atividades diárias também podem ser sinais do problema.

Fonte: Diário do Nordeste