O diretor do Departamento do hemisfério Ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional), o chileno Nicolás Eyzaguirre, disse ontem que o País está correto em buscar conter a “chuva de dólares” e defendeu a retirada dos estímulos fiscais concedidos à indústria para superar a crise. “O Brasil se saiu como um Tarzan dos antigos filmes, enfrentou os crocodilos e saiu do outro lado da margem do rio seco e penteado”, afirmou na divulgação do estudo Panorama Econômico Regional, em São Paulo.

O estudo trouxe poucas novidades em relação ao que Fundo já divulgara, mas veio carregado de boas declarações do ex-presidente do BC (Banco Central) do Chile. Segundo o material, o pior da crise mundial já passou, a economia brasileira está entre as com melhor recuperação na América Latina, junto com Chile, Peru e Colômbia, especialmente por causa das exportações de commodities.

Eyzaguirre disse que a taxação da entrada de capital externo no Brasil pode dar uma margem de manobra para evitar sobrevalorização da moeda, mas é insuficiente para impedir a vinda de fluxo de dólares tendo em vista a atratividade do País em relação ao restante do mundo. “Entendemos perfeitamente que um país queira se proteger em situação como essa. É natural abrir o guarda-chuva quando está chovendo dólares”, disse .

Ele ponderou que controles como este são necessários. Do contrário, os estrangeiros, como se diz no Chile, “chutam para o gol e partem para o abraço”. Segundo Eyzaguirre, é preciso um conjunto de ações para impedir uma apreciação ainda maior do câmbio.

Além da taxação de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da retirada de medidas fiscais adotadas durante a crise, defendeu o câmbio flutuante e a melhoria da competitividade das empresas.

Ele afirmou que o Chile também optou por medidas para evitar entrada excessiva de dólares nos anos 90. O país cobrava taxa na entrada – era preciso depositar o equivalente a 30% da aplicação. O valor era reembolsável depois de um ano.

Fonte: Diário Digital ABC