“Em uma decisão surpreendente, a Justiça absolveu na noite de ontem os quatro policiais federais acusados de tortura e morte do preso José Ivanildo Sampaio de Sousa, em outubro de 1995, dentro das dependências da Superintendência da Polícia Federal. Na época, o caso teve repercussão internacional. O julgamento ocorreu no auditório da Justiça Federal, no Centro, e durou cerca de 14 horas.

Os réus Carlos Eugênio Holanda Nogueira, Raimundo Nonato Brito, José Washington Carvalho Lima e Jundiahy Guedes Filho eram acusados do espancamento e morte do padeiro José Ivanildo, preso horas antes, no Eusébio, sob acusação de tráfico de drogas. O preso foi encontrado morto, sentado em um sanitário da cela seis da PF.

Os advogados de defesa dos réus, José Armando da Costa Júnior e Rangel Júnior, defenderam a tese que do conflito de informações e que a vítima poderia ter sido morta por outros dois presos, que ocupavam a mesma cela, como ainda que os ferimentos teriam sido agravados durante a necropsia no Instituto Médico Legal (IML).

O Ministério Público Federal (MPF), representado pelos procuradores da República, Meton Vieira Filho e Lino Edmar de Menezes, relataram ao Júri que os presos não teriam o material usado no espancamento (de forma contundente e cilíndrico, como cassetetes ou cabos de vassoura), como também apresentaram um laudo expedido na época pelo legista da Unicamp, Badan Palhares, o qual assegura que os ferimentos (costelas fraturadas, rins, baço e fígado comprometidos) foram provocados com a vítima ainda em vida.

O depoimento mais aguardado foi o de um comerciante, 39 anos, que esteve preso na mesma cela que José Ivanildo.

“Ele disse que foi levado pelos policiais até uma lagoa e espancado. Durante a noite ele gemia muito e cuspia sangue. Chamamos o plantonista e pedimos um remédio, mas ele não retornou. Na madrugada, disse que ia tomar um banho para ver se melhorava e depois nós vimos que ele já estava morto“, contou.”

(O POVO)