O governador José Serra tem seu passado de grande homem público, economista influente, intelectual sólido. E de ampla indecisão, ainda mais em temas que exijam definições políticas.

A indecisão deixou o campo aberto para os novos ideólogos da oposição: a Mídia, isso, o Kamel, Otavinho, o Civita com toda aquela sofisticação política e analítica já conhecida. E o Estadão correndo atrás.

Aí eles descobrem a grande sacada: a menção de Lula a Judas e ao papel da imprensa. Manipula-se a declaração de Lula, para servir de bandeira oposicionista. Eureka! Genial! Descoberta a pedra filosofal a orientar daqui para frente a oposição. A ordem unida ecoa por todos os cantos. Ouve-se CNBB aqui, deputados ali, Fenaj acolá, repercutamos, repercutamos.

E o Serra – que pode ter muitos defeitos, mas morre de medo do ridículo – é obrigado a ir atrás.

Daí o Estadão – que vive correndo atrás do eixo Veja-Globo-Folha invertendo a frase símbolo de São Paulo (não conduzo, sou conduzido)-, chega resfolegante para a repercussão, cerca Serra daqui, cerca dali e arranca uma declaração bombástica:

‘A entrevista mostra bem o que é o Lula. De ponta a ponta, na forma e no conteúdo’, disse o governador de SP

Bela frase, que não quer dizer absolutamente nada.

Aí o repórter insiste sobre o tema Judas:

Questionado se concordava que uma aliança entre Jesus e Judas seria necessária para 2010, Serra respondeu: “Não sei. Quem fala com Cristo pode perguntar a ele”.

Ou seja, para uma pergunta tola, uma resposta que não quer dizer nada.

Não falou nada, nada disse. Mas o Estadão solta a manchete exultante:

Serra ironiza presidente Lula sobre alinça entre Jesus e Judas

Fonte: Blog do Nassif