A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do HSBC repudia a postura do banco inglês de divulgar nesta quarta-feira, dia 21, os valores relativos à antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), contrariando afirmação feita por seus representantes durante negociação ocorrida no dia anterior de que discutiriam o tema e entrariam em contato com o movimento sindical nesta quinta-feira. Os dirigentes sindicais estiveram reunidos na manhã desta quarta-feira, na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, e definiram um calendário de mobilizações para reverter a decisão do banco.

Em negociação realizada na terça-feira, a Contraf-CUT e as entidades sindicais cobraram do banco a valorização dos funcionários com o pagamento sem redutor da regra de antecipação da PLR e a discussão posterior de eventuais ajustes. O banco ficou de avaliar a proposta e trazer uma resposta ao movimento sindical nesta quinta-feira.

No entanto, a empresa anunciou para todos os funcionários nesta quarta que seguirá a regra acordada com a Fenaban e aplicará redutor de 26,22% na primeira parcela da PLR. “É um total desrespeito ao processo de negociação. O banco enviou representantes sem poder de decisão para negociar e agora atropela o que foi discutido. Não podemos aceitar essa situação”, afirma Carlos Alberto Kanak, coordenador da COE do HSBC.

Pela regra anunciada pelo banco, os bancários receberão como antecipação da PLR o valor de 39,84% do salário mais R$ 453,01 fixos, além de R$ 251,75 referentes à PLR Adicional (2% do lucro líquido distribuídos linearmente para todos os funcionários).

Durante a reunião, os dirigentes sindicais analisaram o balanço do primeiro semestre do banco com a assessoria do Dieese. Segundo dados apurados pelo movimento sindical, o lucro do banco inglês foi R$ 2,1 bilhões, valor que consta do balanço contábil e será usado como parâmetro para o pagamento dos executivos e acionistas do banco. Porém, para efeitos da distribuição da PLR da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2009/2010, esse resultado aparece como R$ 250 milhões. O motivo são diversas manobras no balanço da empresa, entre elas um aumento muito acima do esperado nas Provisões para Devedores Duvidosos (PDD).

“O banco afirma estar seguindo a regulamentação do Banco Central e ter justificativas para fazer esse provisionamento, mas tal montante é um exagero. Está claro para nós que o banco manipulou o lucro para reduzir a PLR dos bancários. Não aceitaremos essa situação e realizaremos uma série de atividades nos próximos dias para cobrar do banco a valorização dos trabalhadores”, afirma Kanak.

Fonte: Contraf-CUT