O Brasil subiu 11 posições no ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ocupando agora a 71º lugar. Segundo o relatório, divulgado nesta terça-feira (20), o país se “beneficia dos esforços desenvolvidos pelo governo Lula em matéria de acesso à informação”, mas “apesar das evoluções positivas, ainda padece de uma violência persistente contra os meios de comunicação nas grandes aglomerações urbanas e nas regiões do Norte e do Nordeste”.

O relatório ainda chama a atenção para o controle de mídias locais. “A censura preventiva permanece ativa em certos Estados nos quais as autoridades monopolizam os meios de comunicação”, diz a organização.

O Brasil ainda está atrás de países como a Argentina, que no ano passado ocupava a posição de número 68 e agora aparece na 47, e do Paraguai, que ocupa a 54. Na Argentina, entretanto, pode haver retrocesso, pois o relatório foi elaborado antes da aprovação da nova lei de mídia, no sábado (10), que impõe restrições às empresas de comunicação. (Confira alguns casos de intimidação dos meios de comunicação na América Latina)

O grande destaque negativo na América Latina vai para na Venezuela que passou da 113ª para a 124ª posição. O relatório diz que um jornalista foi assassinado em um “cenário de violência desenfreada e criminosa da administração do presidente Hugo Chávez”. Para a RSF, Chavéz mudou as regras que regem a radiodifusão no país com o objetivo de silenciar os seus críticos.

Com essa atitude, a Venezuela se aproxima de países como a Colômbia (126) e México (137). Em ambos os países, as forças de seguranças são as maiores responsáveis pela violência dominante que conduz à auto-censura.

Esse é oitavo ranking anual de liberdade de imprensa divulgado pela RSF. A lista é elaborada com base em questionários que são respondidos por centenas de jornalistas e especialistas em mídia em todo o mundo.

Efeito Obama – Um dos grandes destaques deste ano é a melhora da situação dos Estados Unidos, que subiram de 40º a 20º no ranking. Segundo o relatório, a eleição de Barack Obama e o fato dele ter uma postura menos beligerante do que seu antecessor George W. Bush contribuiu muito para que isso acontecesse.

Porém, segundo a organização, a recuperação de 20 lugares no índice “não é suficiente”,,já que retrata apenas o estado da liberdade de imprensa nos Estados Unidos. O grande problema é o fato do país estar envolvido em guerras. A atitude dos Estados Unidos para com a mídia do Iraque e do Afeganistão ainda é preocupante. Desde o início dos conflitos, diversos jornalistas já foram presos ou feridos nesses dois países.

Fonte: Época