A AIB (Associação Imobiliária Brasileira) repassou R$ 1,655 milhão aos 13 vereadores de São Paulo cassados pela Justiça Eleitoral por receber doações ilegais na campanha eleitoral de 2008.

Os vereadores foram cassados por decisão do juiz Aloisio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral, que também declarou os parlamentares inelegíveis por três anos. Para o juiz, a AIB fez doações irregulares. Cabe recurso da decisão.

Reportagem publicada em abril revelou que o setor imobiliário de São Paulo usou a AIB para driblar a legislação eleitoral –que proíbe doações de sindicatos– e ocultar os verdadeiros responsáveis pelas doações feitas pelo setor.

As doações da AIB variam de R$ 50 a R$ 200 mil. Os vereadores que receberam as maiores doações foram Adilson Amadeu (PTB) e Carlos Apolinário (DEM): R$ 200 mil cada um.

A AIB foi a segunda maior financiadora individual do país nas eleições de 2008, direcionando R$ 6,5 milhões a candidatos, governistas e da oposição, em quase totalidade paulistas.

A reportagem não localizou nenhum representante da AIB para comentar a decisão.

Veja quanto cada um dos 13 vereadores cassados recebeu da AIB:

  • Adilson Amadeu (PTB) – R$ 200 mil
  • Adolfo Quintas (PSDB) – R$ 100 mil
  • Carlos Apolinário (DEM) – R$ 200 mil
  • Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB) – R$ 100 mil
  • Cláudio Barbosa (PSDB) – R$ 100 mil
  • Dalton Silvano (PSDB) – R$ 100 mil
  • Domingos Dissei (DEM) – R$ 145 mil
  • Gilson Barreto (PSDB) – R$ 100 mil
  • Marta Costa (DEM) – R$ 180 mil
  • Paulo Sérgio Abou Anni (PV) – R$ 100 mil
  • Ricardo Teixeira (PSDB) – R$ 150 mil
  • Ushitaro Kamia (DEM) – R$ 130 mil
  • Wadih Mutran (PP) – R$ 50 mil

O vereador Carlos Apolinário (DEM) disse que a decisão não tem cabimento porque a AIB também doou em eleições anteriores para diversos candidatos a presidente, governador e prefeito, e apenas os vereadores foram condenados. Ele disse que vai recorrer da decisão.

“Só agora em 2008 descobriram que essa entidade não poderia doar. Ou pode ou não pode. Se pode, pode independentemente do valor [da doação]. Se não pode, não pode pra ninguém. Só os vereadores são os desonestos?”, questionou Apolinário, que recebeu R$ 200 mil da AIB.

A bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo está reunida desde o início da tarde para discutir o assunto e deve soltar uma nota ainda hoje sobre a decisão, que cassou seis dos 12 parlamentares tucanos.

O advogado Ricardo Vita Porto, que defende os vereadores Adilson Amadeu (PTB) e Paulo Sérgio Abou Anni (PV), disse que ficou surpreso com a decisão porque, segundo ele, a legislação é clara em permitir doações como as que foram feitas pela AIB. Ele entende que a lei proíbe apenas doações de entidade sem fins lucrativos que recebem recursos vindos do exterior, o que não é o caso da AIB. “Vamos recorrer e esperamos que o tribunal reforme a decisão”, disse.

A assessoria de Domingos Dissei (DEM) afirmou que o advogado do partido vai analisar o caso e tomar as providências cabíveis. Ele também deve intervir na defesa da vereadora Marta Costa (DEM), já que a assessoria informou que a defesa está cuidando do assunto.

As assessorias de Wadih Mutran (PP) e Ushitaro Kamia (DEM) ficaram de retornar a ligação. Já Ricardo Teixeira (PSDB)está licenciado do cargo por 31 dias, representando a cidade na Espanha, e só deve tratar do assunto quando retornar.

Fonte: Folha Online