Nos primeiros dias de setembro, o PSDB escreveu no alto do portal que mantém na internet um convite aos filiados:

“Participe das prévias nacionais. Escolha o nosso candidato à Presidência da República. Clique aqui e inscreva-se”.

Quem pressiona o mouse no local indicado é direcionado para um formulário de inscrição. Decorridos quase dois meses, deu-se um fiasco.

De acordo com os arquivos do PSDB, o partido teria cerca de 1 milhão de filiados em todo país.

Pois bem. Menos de 10 mil se animaram a preencher o formulário que dá direito a voto nas supostas prévias.

Se não for prorrogado, o prazo para as inscrições termina em 30 de novembro. Mantido o ritmo atual, o número de votantes não vai chegar à marca de 20 mil.

O vexame do cadastramento eletrônico é a mais eloquente evidência de que a escolha do candidato tucano será feita por acordo, não no voto.

O tem dois nomes para oferecer aos eleitores. O favorito, José Serra, reluta em assumir a candidatura. O azarão, Aécio Neves, diz que deseja as prévias.

Tomada pelo nanismo do quadro de inscritos, a disputa prévia –organizada por pressão de Aécio— não é coisa que possa ser levada a sério.

Entre os poucos inscritos, os filiados ao PSDB de Minas Gerias, o Estado de Aécio, não somam nem 1.500.

“Ao que parece, nem o Aécio, que seria o maior interessado nas prévias, se mobilizou por elas”, disse ao repórter um grão-tucano.

Outro expoente do partido disse: “O desinteresse dos filiados é evidente. Ao que parece, passam a mensagem de que preferem um acordo entre os dois candidatos”.

Nos subterrâneos, a cúpula do partido se organiza para escolher o seu presidenciável num conciliábulo de caciques, Serra e Aécio incluídos.

Trabalha-se para que a definição seja feita até dezembro. Pela vontade da maioria dos dirigentes tucanos, o PSDB iria a 2010 com uma chapa puro sangue.

Serra na cabeça e Aécio na vice. Sócio da empreitada oposicionista, o DEM já informou que abre mão de compor a chapa. Porém…

Porém, Aécio resiste à idéia de apresentar-se ao eleitorado na condição de vice de Serra. Deixa isso bastante claro nas reuniões privadas.

Há cerca de dois meses, o governador mineiro jantou com dois correligionários: os senadores Tasso Jereissati e Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

Deu-se em Fortaleza. Antes que o repasto fosse servido, Aécio levou à mesa um pedido: “Não me peçam, nem hoje nem amanhã, para ser vice”.

Neste sábado (17), Serra, o “não-candidato”, e Aécio, o candidato das supostas prévias, se encontram em Goiânia.

Vão participar de mais um dos seminários que o tucanato vem promovendo nos Estados. O tema será, dessa vez, “Emprego e Inclusão Social”.

Serra e Aécio discursarão num painel de nome pomposo: “Oportunidades e Desafios da Geração de Empregos no Brasil”.

Os tais seminários são organizados a pretexto de pôr de pé um programa de governo.

Em verdade, foi a forma que o tucanato encontrou para tentar dividir o noticiário da sucessão com Lula e a candidata dele, Dilma Rousseff.

A estratégia é considerada tímida pelos parceiros do DEM, que pressionam pela antecipação da escolha do candidato.

O tucanato dá de ombros. Avalia que, assumindo a candidatura, Serra viraria um alvo instantâneo. Acha que a sobrevida à dúvida serve mais aos interesses da oposição.

Será?, perguntam-se os ‘demos’, incomodados com a volúpia com que Lula leva o rosto de sua candidata à vitrine.

Mantido o plano original, até o final do ano o PSDB terá dois candidatos e não terá nenhum, dirá que quer fazer prévias, mas não quer fazer as prévias…

…Trabalhará pela montagem da chapa puro-sangue, mas o vice-alazão repetirá que não deseja o arranjo.

Ou seja, o tucanato “enfrentará” Lula desde o seu habitat predileto: o muro.

Fonte: Folha Online