Propagandas de cartões de crédito que se dizem gratuitos estão confundindo o usuário, alerta pesquisa que analisou 94 plásticos

O consumidor deve prestar muita atenção antes de aderir a um cartão de crédito gratuito, ou seja, livre do pagamento de anuidade e demais taxas. Pesquisa da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) analisou as condições de 94 plásticos no mercado e constatou juros extorsivos, propagandas enganosas, ofertas que não correspondem à realidade e omissão de certos custos – confira os principais resultados nas tabelas abaixo.

De acordo com o levantamento, que colheu a maioria das taxas nas próprias agências, há diversas ofertas de cartões sem anuidade ou gratuitos, mas que cobram taxa de manutenção ou emissão de fatura, que varia de R$ 2,99 a R$ 3,95, resultando em uma conta de até R$ 47,40 por ano. Os custos quase sempre são camuflados na fatura. Tarifas de manutenção ou de processamento nem sequer são mencionadas, mas fazem diferença.

Gratuitos – Dos 94 cartões de crédito analisados, o levantamento constatou que apenas seis deles são, de fato, gratuitos: Unicard, Hipercard, American Express Blue, Gold Credit ou Platinum Credit e Santander Free. Porém, apenas os dois primeiros não cobram taxa de inatividade. Os demais são gratuitos desde que sejam usados. Explica-se: com o aumento da oferta de cartões no mercado, as operadoras impõem ao consumidor que não usar o cartão por um determinado período, que geralmente é de três meses, o pagamento de uma tarifa, chamada taxa de inatividade. Os técnicos afirmam que poucas empresas comunicam sobre a cobrança desse adicional ao consumidor, que acaba surpreendido quando recebe a fatura.

O consumidor também deve ter cuidado com os chamados atrativos nos cartões, ou seja, promoções e facilidades que podem se transformar em dificuldades. O levantamento cita como exemplo o cartão Flex, do Santander, que permite prorrogar todo mês o pagamento da fatura por até cinco dias. Adicionalmente, o plástico permite que o consumidor pule o pagamento de uma fatura a cada 12 meses, quitando a dívida somente no mês seguinte. Porém, cada vez que o consumidor usa esse serviço, paga R$ 12. Além desta taxa, se deixar para pagar a fatura no sexto dia, por exemplo, vai pagar os juros sobre todo o período de atraso, incluindo os cinco dias oferecidos pelo banco.

Juros  – Apontada como principal vilão do setor, a taxa de juros de cartão de crédito continua alta, em sentido oposto à Selic, taxa básica de juros da economia, atualmente em 8,75% ao ano. Entre os cartões analisados, os juros rotativos mais altos chegam a 600% anuais. A possibilidade de saque também sai caro, tanto no Brasil quanto no exterior.

Como trata-se de uma operação de empréstimo, os juros são bastante similares aos cobrados pelo rotativo do cartão. O CET (Custo Efetivo Total), tarifa que envolve todos os custos do financiamento e cuja informação é obrigatória por determinação do Banco Central, pode surpreender. No caso de saque pelo Itaúcard Nacional, a taxa chega a 443,88% ao ano.

A dica dos especialistas é dar preferência para o empréstimo no CDC (Crédito Direto ao Consumidor) nos bancos, que cobra juros mais amenos, como opção ao saque com o cartão. Outro ponto que deve ser considerado é o limite de crédito. Há cartões que permitem que o usuário exceda o limite, mas cobram uma tarifa toda vez que o teto é ultrapassado. O valor, a cada vez em que o limite é desrespeitado, varia de R$ 10 a R$ 16.

Mais baratos   – Para indicar a melhor escolha ao consumidor, os analistas consideraram apenas os cartões que não têm custo. Para quem costuma pagar a fatura em dia, a melhor opção, indica o levantamento, é o Unicard. O plástico é internacional, tem renda mínima baixa, não cobra anuidade, taxas de manutenção, inatividade ou emissão de fatura. Outra boa pedida é o Hipercard, mas é um cartão nacional. Para quem usa mais o cartão, são indicados o Santander Free e os três cartões da American Express.


Fonte: Pro Teste