Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, divulgados nesta sexta, mostram que a Região Metropolitana do Rio tem características que antecipam as tendências do País. As mulheres da capital e seus arredores são as que têm renda mais alta na comparação com às oito demais regiões pesquisadas. O Rio tem maior percentual de pessoas com mais de 15 anos de estudo. O envelhecimento é outro aspecto de destaque

. No retrato do Brasil, houve avanços na distribuição de renda, no acesso à escola e a bens de consumo, mas o analfabetismo é mazela resistente. E pela primeira vez, mais de 50% da população se declararam como sendo de cor parda ou preta.

Coincidentemente, as informações da PNAD de 2008 têm como referência a última semana de setembro do ano passado, marco também da crise financeira internacional que afetou o País. O Brasil estava no ápice de seu processo de crescimento, registrando a mais alta taxa de ocupação da história e aumento da renda dos trabalhadores.

Na Região Metropolitana do Rio, o índice de crianças de até 4 anos é menor que o das outras regiões. Já a participação dos idosos é a maior – reflexo do número cada vez menor de filhos por mulher, que leva ao envelhecimento. Enquanto no País havia 3,4 pessoas por domicílio em 2007, no ano seguinte, o número passou a 3,3. Em um ano, aumentou 4,5% o total de brasileiros com mais de 40 anos.

O acesso ao Ensino Superior cresceu mais no Rio. A Região Metropolitana tem 15,52% com mais de 15 anos de estudo. Face ao País, a pesquisa mostra aumento na média de anos de estudo, de 6,9 para 7,1. O total de universitários subiu em mais de 200 mil, chegando a 6,258 milhões, e a participação das instituições particulares avançou. O estudante de Administração do Ibmec do Rio Carlos Fernandes, 25 anos, prova a tendência: “Procurei instituição que incentiva mais o empreendedorismo e que prepara para o mercado”.

Outro aspecto no qual o estado se destaca é na igualdade entre homens e mulheres. Por conta de maior participação em setores como serviços, educação e saúde, as moradoras da Região Metropolitana tiveram renda mais elevada que as paulistas e paranaenses, onde homens ganham mais do que no Rio. Segundo a médica Cláudia Danienne, 39, diretora do Recursos Humanos da Amil, o mercado está cada vez mais aberto à “sensibilidade” da mulher, que mostra mais versatilidade. Mas a competência é o que impera: “O mercado procura pessoas, independentemente do sexo, com perseverança e boa base de estudo. Nunca sofri discriminação por ser mulher”.

A PNAD mostrou que o quadro social do Rio ainda tem muito a avançar. A região fluminense têm 31,33% dos moradores com mais de 10 anos dependentes do Bolsa-Família ou sem renda, percentual mais alto do que em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Para o IBGE, tais programas ajudaram no combate ao trabalho infantil e na escolarização. Edivânia Flor dos Santos, 31, moradora do Catumbi, mantém os três filhos na escola graças ao auxílio. “Melhorou muito a minha vida. Pude comprar mais comida e material para as crianças”, conta.

Para o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, os indicadores mostram continuidade na melhoria da qualidade de vida do País. Já o ex-presidente do instituto, o economista Sérgio Besserman acredita que a pesquisa mostra “pico de um ciclo que acabou com a crise” e criticou a “falta uma política estruturante de distribuição do conhecimento”.

Fonte: Portal Terra