Avaliar o desenvolvimento de uma região com parâmetros que vão além dos dados econômicos. O conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) faz um contraponto ao Produto Interno Bruto (PIB) e começa a fazer parte das discussões das populações que desejam qualidade de vida e desenvolvimento sustentável. Experiências, conceitos, novas alternativas para o crescimento e pesquisas que relacionam desigualdade social e devastação ambiental com o PIB estiveram ontem na pauta do encontro “Novos paradigmas de desenvolvimento: Felicidade Interna Bruta (FIB)“, que reuniu no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) pessoas interessadas em saber mais sobre essa tal felicidade. O debate, promovido pelo Instituto Visão Futuro-Ceará e Banco Palmas, trouxe nomes de peso para apresentar as muitas faces da FIB. Ladislau Dowbor, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, mostrou que as limitações do PIB podem ser percebidas por meio de exemplos claros. Ele lembra de um navio petroleiro que naufragou no Alaska resultando em um desastre ambiental. Para resolver o problema muitas empresas forma contratadas e o PIB local aumentou. “Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB?“, questiona. A psicóloga e antropóloga Susan Andrews, que estuda a “ciência da felicidade“ e coordena o FIB no Brasil, conta que a experiência da aplicação da versão brasileira do questionário da FIB (derivado da filosofia do Butão – que considera o bem-estar) conduzida como projeto piloto em Angatuba, Campinas e Itapetininga (SP) também está motivando a população para que faça esforços coletivos em coordenação com o governo, empresas e Organizações Não Governamentais. Além dos estudos, pesquisas e conceitos, a felicidade associada ao desenvolvimento está presente no dia a dia do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza. Famoso pela experiência do Banco Palmas – um banco comunitário que pratica a economia solidária – os moradores do local já sabem que não é possível avaliar e economia sem lembrar do aspecto social e ambiental. Joaquim Melo, educador popular e coordenador da Rede Brasileira de Bancos Comunitários, é categórico ao dizer que é irreal medir o desenvolvimento apenas pelo resultado econômico. “Quão chato é um bairro que estabelece relações de mercado. Não dá. Desenvolvimento nenhum é sustentável se não tiver por base a felicidade“, avalia. (Henriette de Salvi)

O que é FIB?

Marcos Arruda, coordenador geral do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul, outro palestrante, falou ainda sobre as nove dimensões do FIB. “O índice do Butão leva em conta indicadores que cobrem nove campos da vida familiar e social da população. Cabe a nós pesquisar a melhor maneira de definir felicidade na nossa cultura, e desenhar os melhores indicadores para medi-la“, explica. As dimensões são divididas da seguinte maneira: padrão de vida; boa governança; educação; saúde; resiliência ecológica; diversidade cultural; vitalidade comunitária; uso equilibrado do tempo; e bem estar psicológico e espiritual.

Fonte: Jornal O Povo