A desigualdade no Ceará caiu 1,36% em 2008, na comparação com 2006, e quem contribuiu para essa queda foi a renda do trabalho. Segundo estudo do Caen, a renda dos 10% mais pobres do Estado cresceu 64,2% entre 2006 e 2008

Para 60% da população cearense a renda média familiar cresceu mais que a média do Estado – 16,9% em 2008 na comparação com 2006. A maior alta, de 64,26%, foi para os 10% mais pobres, cerca de 800 mil pessoas, cujo ganho médio passou de R$ 21,72 para R$ 35,68. No período analisado a renda média dos 10% mais ricos (R$ 1.548,27) equivalia 43,4 vezes à dos 10% mais pobres. Em 2006, a razão chegava a 61,6 vezes. Quem mais contribuiu para essa desconcentração de renda, ou redução da desigualdade, foi a renda advinda do trabalho com 90% do percentual total da queda geral da desigualdade que foi de 1,36%.

As conclusões são da pesquisa “Evidências sobre a Evolução da Renda e seus efeitos na queda da desigualdade”, baseada nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2008). Divulgado ontem pelo Laboratório de Estudos da Pobreza do Curso de Pós-graduação em Economia (Caen) da Universidade Federal do Ceará, o trabalho revela que apesar das melhorias de rendimento 50% da população, no ano passado, ainda vivia abaixo da linha da pobreza, onde estavam aqueles com renda de meio salário mínimo R$ 207,50 (considerando o salário de 2008).

A seguridade social (aposentadorias), com 26,32%, foi o segundo componente da renda familiar que mais contribuiu para a desconcentração. Os aluguéis/doações e transferências de renda e aplicações participaram negativamente com 15,6% e 1,12%, respectivamente.

Outros dados interessantes levantados na pesquisa são que 29,02% da população do Estado tem idade entre zero e 15 anos e 47,64% vivem entre os 10% mais pobres. “Esse é um dado preocupante”, comenta, o professor doutor em Economia e um dos autores da pesquisa, Flávio Ataliba. Adianta que também chama a atenção o crescimento de 93,54% das pessoas acima de 60 anos na faixa dos mais pobres. O estudo não permite dizer as razões nem se a desigualdade aumentou para esse grupo. Como correlação positiva cita o aumento da escolaridade verificado entre os que ganham mais.

Ataliba observa que a pesquisa mostra claramente que o que está permitindo o aumento de renda dos mais pobres não é o Bolsa Família mas a renda do trabalho, muito impactada pela valorização do salário mínimo. “É o mercado de trabalho que dá vigor à redução da pobreza”, comenta. Para o professor Carlos Manso, também autor do trabalho, é um resultado para ser festejado porque as pessoas estão saindo da miséria através do setor produtivo.

Os pesquisadores destacam, porém, que ainda não é possível afirmar que o aumento da renda deveu-se ao maior número de empregos. “Essa pesquisa será feita posteriormente”. Não é possível concluir também se foi motivado por uma política de governo federal ou estadual. O que se percebe é uma melhoria no mercado de trabalho nesta década por um conjunto de fatores como a universalização do ensino que gerou uma geração mais qualificada, com mais anos de estudo e que ganha mais.

Fonte: O Povo Online

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