RIO – Foram nove meses e 12 dias que mudaram o mercado. Após um período inicial de pânico e queda nas vendas de automóveis, reflexo da crise que abalou os mercados mundo afora, o governo federal mudou as regras de cobrança do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o setor voltou a respirar. A melhor notícia foi que os preços realmente caíram e até hoje se mantêm em níveis aceitáveis – diferentemente de outros momentos em que a redução de taxas só serviu para engordar as margens de lucro dos fabricantes.

Mas quinta-feira é um novo dia e o imposto voltará de forma gradual. Carros com motor 1.0 (que estavam isentos) pagarão 1,5% de IPI em outubro, 3% em novembro e 5% em dezembro. As outras faixas de tributação seguirão o mesmo caminho, com reajustes a conta-gotas.

As alíquotas de IPI de automóveis

Enquanto a redução durou, os fabricantes aproveitaram o que puderam. A Chevrolet foi agressiva: um Vectra Expression, que com o imposto mais baixo passou a custar R$ 54.300 em janeiro, chegou a R$ 52 mil em setembro. A linha popular da marca também teve grandes descontos.

– Com a redução do IPI, a expectativa de todos os especialistas de mercado mudou. Até agora, os números apontam para um novo recorde histórico de vendas, que pode ultrapassar 300 mil unidades em setembro – diz Nilson Martinez, diretor de vendas da General Motors do Brasil.

Fiat pisou no freio e formou fila

A Fiat se apavorou com a crise e pisou no freio ao reduzir a produção entre o fim de 2008 e o começo de 2009. O resultado foram filas de espera por carros como Siena EL e Mille Economy. No fim das contas, o efeito psicológico da medida do IPI foi mais significativo do que a queda real de preços. E as vendas melhoraram ainda mais com a volta do crédito ao longo do ano.

Este ano vem sendo de recuperação, depois das perdas do último trimestre de 2008. Com a volta do crédito e a queda dos juros após uma grande elevação, as vendas no mercado interno cresceram 4% entre janeiro e agosto. É possível chegar a uma melhora de 6% no acumulado deste ano – afirma Cleodorvino Belini, presidente do Grupo Fiat na América Latina.

Outros fabricantes reduziram os preços de suas tabelas além do desconto do IPI e têm cobrado tais valores nas lojas. Antes da redução do imposto, a Peugeot pedia R$ 37.800 pelo 207 XR 1.4. Depois da mudança (a alíquota caiu de 11% para 5,5%), o modelo passou a custar R$ 35.700. Agora, o preço chegou a R$ 35 mil na linha 2009/2010. A explicação está na briga pelo mercado, e faz bem ao consumidor.

Depois da grande queda inicial dos preços em janeiro, a procura cresceu e alguns modelos tiveram uma pequena alta – mas não a ponto de superarem os valores de antes da redução de imposto.

Fonte: O Globo

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