Os bancos representam o setor que mais lucra no país. Apenas no primeiro semestre deste ano, os banqueiros levaram dos bolsos do cidadão cerca de R$ 20 bilhões. Este mesmo setor, que tem altos lucros, abusa tanto de seus funcionários quanto de seus clientes, impondo juros abusivos. E o senhor Sérgio Peixoto Mendes, em seu artigo publicado neste mesmo jornal ontem, ainda pergunta: “O que nós, como cidadãos e correntistas, temos a ver com a briga entre os banqueiros e os bancários? Por que toda a sociedade tem que pagar o preço de uma briga particular, muitas vezes restrita aos interesses abusivos de algumas classes minoritárias?”

Em primeiro lugar, esta briga está longe de ser “particular”. Ela é uma briga de uma classe que representa 420 mil trabalhadores em todo o país. Os bancos abusam dos bancários impondo uma rotina de trabalho extenuante, baseada no cumprimento de metas inatingíveis. Os trabalhadores são obrigados a empurrar produtos nos clientes e em sua própria família, e quando não atingem as metas sofrem assédio moral ou são demitidos. Além disso, os bancários sofrem com a rotina de insegurança nas agências. São vítimas de assaltos, sequestros e outros tipos de violência. Além disso, as fusões entre os bancos contribuíram para aumentar ainda mais as fileiras de desempregados do país. Só este ano, foram 15.500 demissões e apenas 13 mil novas contratações. Repetimos: os bancos, esses sim, abusam!

E mais: muito mais do que uma briga particular e de uma briga entre trabalhadores e patrões, é uma briga que diz respeito a toda a sociedade. Afinal, quem mais sofre com o abuso dos bancos são os clientes, que enfrentam filas intermináveis e pagam juros altíssimos. Os bancários não reivindicam apenas aumento salarial. A campanha nacional exige mais contratação de bancários, mais segurança para trabalhadores e clientes e diminuição das tarifas. Os bancos abusam não só dos seus funcionários, mas também de seus clientes. Portanto, o que tem de particular nessa briga?

Além disso, é bom esclarecer que este ano os grevistas optaram por não fechar o autoatendimento. Ou seja, os trabalhadores estão em greve, mas os caixas eletrônicos funcionam. Para retirar dinheiro, é só ir lá. E para pagar as contas através de boleto, também. Além disso, existem as lotéricas que também prestam este serviço. Portanto, mais um infeliz equívoco do senhor Sérgio.

O que os bancários menos querem é prejudicar a população. O senhor Sérgio acertou quando disse que a greve é um direito constitucional. Os bancários iniciaram uma greve nacional na quinta-feira, 24 de setembro, porque não tiveram avanços nas negociações com os banqueiros.  Após cinco rodadas de negociação. A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) apresentou uma proposta de reajuste de 4,5%; o que representa apenas a inflação acumulada até a data-base da categoria. Além disso, a proposta de PLR (Participação nos Lucros e Resultados), este ano, é pior que a do ano passado. Isso, sim, é um abuso!

Por isso, a única maneira de se garantir direitos é a mobilização. É cruzar os braços e pressionar. Não se trata de chantagem, como mencionou o filósofo em seu artigo, e sim de pressão, de luta. Historicamente, os trabalhadores só conquistaram direitos com muita luta. E uma luta que diz respeito a toda a sociedade brasileira. Os bancos abusam dos bancários e dos clientes. E a solução para o impasse está nas mãos dos banqueiros, daqueles que sugam os trabalhadores e os clientes. Assim que apresentarem uma proposta decente aos bancários, a greve termina. É contra estes “abusos” que devemos nos revoltar, e não contra os trabalhadores que querem apenas garantir uma vida melhor a toda a sociedade.

Coordenação do Sind. dos Bancários de Santa Cruz do Sul e Região

Fonte: Gazeta do Sul

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